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Coisas (des)Interessantes

Não penses que o mundo, a vida ou o tempo, te vão devolver alguma coisa daquilo que fazes. Nem tens de pensar isso sequer! Simplesmente faz!

Coisas (des)Interessantes

Não penses que o mundo, a vida ou o tempo, te vão devolver alguma coisa daquilo que fazes. Nem tens de pensar isso sequer! Simplesmente faz!

05
Abr17

Face to Face Aldeias Crianças S.O.S: Nenhuma criança deve crescer sozinha.

mudadelinha

Bem... venho falar-vos um bocadinho do projeto em que estou envolvida, o qual falei ontem e as razões pelas quais decidi aceitá-lo sem pensar duas vezes! Sei que há muitas causas, que há muitas instituições, que há muitas associações, e que muitas delas são enganosas, que se aproveitam de causas e de lutas como esta para se aproveitarem da boa vontade das pessoas e obterem fins lucrativos. Isso revolta-me, porque acho que se toda a nossa sociedade trabalhasse em equipa, conseguíamos mais e muito melhor!

 

 

As aldeias de crianças s.o.s estão em portugal desde 1964, foi neste ano que foram aprovados os estatutos desta associação, sendo que a primeira aldeia foi inaugurada em 1967, em Bicesse (Cascais). Neste momento, existem três aldeias de acolhimento em Portugal, uma Gulpilhares (Gaia), em Bicesse (Cascais) e, a última, em Guarda. De uma maneira muito sucinta vou explicar o que se faz nestas aldeias de acolhimento, qual a sua missão e, como se pode lá chegar. As aldeias de crianças s.o.s estão, neste momento, em mais de 134 países e, já foram nomeadas 14 vezes para o Prémio Nobel da Paz e, o principal objetivo, é oferecer a estas crianças a possibilidade de crescerem num ambiente familiar, rodeadas de amor e, de carinho, como todas as crianças o merecem. Cada criança pertence a uma familia e merece respeito, amor e segurança!

 

O que é que as aldeias fazem de diferente das restantes associações que conhecemos? As aldeias e, agora falo apenas em Portugal, porque cada país tem objetivos diferentes, consoante as suas necessidades sociais, acolhem crianças retiradas ás familias , por razões de violência, de maus-tratos (fisicos e psicológicos), por serem orfãs e, coloca-as numa aldeia. A finalidade é acompanhar e proteger as crianças e jovens que se encontram em situação vulnerável, com o objetivo de promover o seu pleno desenvolvimento e autonomia, através do acolhimento, prevenção e do fortalecimento das suas redes familiares e sociais. Atuar junto de crianças que perderam os cuidados parentais ou em risco de os perder. As aldeias oferecem uma oportunidade à criança de poder crescer numa familia, com irmãos e com pais s.o.s. O que diferencia as aldeias? No meu ver o que diferencia (e muito!) as aldeias s.o.s das restantes instituições são principalmente três fatores, além de muitos outros, que poderia estar agora aqui a falar:

  • As mães s.o.s - perguntam-me vocês o que é isso e, eu passo a explicar. Se a finalidade é oferecer uma familia à criança, essa ideia passa também por a criança ter uma mãe, uma verdadeira mãe, uma verdadeira figura maternal! Com ela, a criança partilha alegrias, experiências, preocupações, angústias e sonhos. A sua entrega é incondicional.A Mãe SOS dedica a sua vida a crianças que não são suas, mas a quem deseja o melhor que a vida tem para dar. Dá colo, educa, mima e aceita as crianças como elas são, dando-lhes a segurança, a estabilidade e o carinho que tanto precisam. As Mães SOS são o núcleo fundamental das nossas famílias e contam com a ajuda de Educadores, Psicólogos, Assistentes Sociais e “Tios”, que ajudam ao desenvolvimento pleno de cada criança. Existem aldeias que têm mãe e pai s.o.s, mas torna-se muito mais complicado ser assim, porque se o processo de recrutamento para mães s.o.s já não é fácil, quanto mais para um casal s.o.s.
  • Os irmãos - Nas Aldeias de Crianças SOS não se separam irmãos biológicos. Nas nossas casas, temos fratrias de dois, três ou mais irmãos, que vêm juntos de uma situação familiar difícil e aqui encontram uma nova família.O vínculo que existe entre os irmãos é único e natural. Sabemos que na grande parte das instituições não é assim, e este para mim é o grande diferenciador! Desde inicio, desde que ouvi falar das aldeias, que este pequeno ponto, ganhou todo o meu respeito!
  • Por último, mas não menos importante, a idade miníma obrigatória para sair da aldeia - nenhum jovem tem uma idade miníma para sair da aldeia. Cada criança/jovem tem um plano individualizado de desenvolvimento e, muitos vão para a faculdade e, muitos outros começam à procura do primeiro trabalho, mas não é o facto de terem 16, 18, 21 anos que implica que saiam de perto da sua familia e, se deparem com a vida sozinhos!

 

Este é um projeto diferente para mim, é dificil sensibilizar as pessoas para uma causa, mas quando é possível sabe melhor! Quando estamos a defender causas como esta, e vemos com os nossos próprios olhos que é possível, sentimo-nos seguros daquilo que estamos a defender, e que não estamos a defender mais uma. Espero muito que leiam com atenção e, que se nos encontrarem por aí na rua e, tiverem possibilidades claro, peço apenas para ouvirem, e ouvirem com o coração!

 

Deixo apenas um video para que possam ver com os próprios olhos daquilo que falo, porque já vi este video algumas vezes e emociono-me sempre:

 

 

Deixo os sites só por curiosidade:

Aldeias de Crianças S.O.S

Página do Facebook

 

"Nenhuma criança deve crescer sozinha!"

 

 

 

22
Fev17

Coisas de um almoço fora*

mudadelinha

Num café. Dois pais. Uma criança de 6 anos no máximo. Uma filha. Uma criança completamente feliz, uma criança completamente saudável. Chamou pai aos dois. Sem qualquer confusão. Com a alegria contagiante e própria de uma criança, de poder estar a almoçar com os pais e de o pai lhe dar um gelado no fim, porque ela se portou bem.

 

Sabem que mais? Sem querer abrir ou dar aso a discussões, preconceito é o que gere a nossa sociedade. 

21
Abr16

coisas sem título

mudadelinha

Quero ser daquelas tias que oferece sempre livros. A criança ainda só tem dois meses e meio e já tem dois livros na estante. Um é "A Alice no País das Maravilhas" e o outro é do Winnie The Poo para condizer com a decoração do quarto. E foram oferecidos por mim e pelo L. Ele escolheu o segundo porque gosta muito das histórias do Winnie.

 Claro está... a minha parte da prenda vai ser sempre um livro e ele trata do resto.

 

Nada mais fácil e eficaz.

23
Fev16

Voluntariado

mudadelinha

Voluntariado é uma arte. Não é preciso muita coisa. É preciso coração, talvez um bocadinho de bagagem emocional, coisa que se pode conseguir com a prática e com a experiência. Nada mais que isso. Deixamos tudo o que somos, tudo o temos e,tudo o que aprendemos até hoje e damos um bocadinho de nós a quem mais precisa. Mas quando fazemos voluntariado, não estamos só a dar um bocadinho de nós, recebemos sempre algo, por mais pequeno e simples que seja.

A minha experiência como voluntária começou à aproximadamente sete anos, quando ainda frequentava o ensino secundário. Experimentei, ao longo desse ano, várias áreas do voluntariado, estive num centro de crianças desfavorecidas, num lar de idosos, numa instituição de animais, passei pela Santa Casa da Misericórdia na secção de pessoas com deficiência,  passei um dia a limpar as florestas de Portugal e, com um grupo de colegas fomos passar um dia a Braga com o Habitat, instituição que, através do trabalho dos voluntários, constrói casas para famílias necessitadas. Tive, ainda, contacto com os sem-abrigo nas ruas do Porto e, tive formação com uma das instituições que pertencem à Universidade Católica Portuguesa, o Gas'Africa, cujo objectivo é enviar todos os anos (na altura do verão) um conjunto de voluntários, preparados para tal, para países africanos como Angola, Moçambique, Cabo-Verde, Guiné-Bissau.

Nesse ano a minha experiência não foi muito positiva. Muitas vezes, as pessoas que lideram esses "movimentos" e instituições não são muito fáceis e preferem ser chefes a ser líderes, esquecendo-se dos pilares fundamentais que constituem o voluntariado. A verdade é uma, temos de saber lidar com estas pessoas, se o que queremos realmente fazer é ajudar os outros.Acabei por desistir no fim de todas as experiências e, procurar algo com que me identificasse mais e, com o qual sentisse uma ligação emocional. Mantive contacto com algumas pessoas que conheci e, com quem vivenciei essas experiências, mas não voltei mais às instituições ou aos locais onde estive.

No inicio do ano lectivo de 2014, ou seja em setembro, a Católica (faculdade que frequento) estava a fazer publicidade à CASO, núcleo de Voluntariado Nacional da Universidade Católica- Porto. Passo a explicar melhor, a CASO é um núcleo de voluntariado que permite aos alunos, antigos alunos, docentes e funcionários serem voluntários. E, depois as áreas são as mais diversificadas, cujos requisitos são os clássicos, sendo mais restritos para aquelas pessoas que querem fazer voluntariado nos hospitais, com crianças e adultos em fases terminais de cancro e outras doenças, porque nesses casos depende da admissão do hospital ou da instituição em causa. A CASO envolve-se todos os anos com um conjunto de instituições das mais diversas áreas e, dividem os voluntários inscritos por essas.

Não era recente a minha vontade de fazer voluntariado, bem pelo contrário. Quando entrei na Universidade Católica lembrei-me automaticamente do Gás'Àfrica, mas optei por não me envolver logo porque não sabia como ia correr a adaptação do primeiro ano de faculdade. Influenciada por alguns colegas, decidi mais tarde ir assistir a uma das apresentações da CASO, onde os seus elementos e responsáveis falaram das diversas áreas e das sus experiências. Envolvida por aquela emoção e, com saudades de dar mais um bocadinho aos outros, àquele que realmente precisam da nossa ajuda, lá me inscrevi. A CASO é antes um núcleo certificado, que no fim oferecem um diploma que podemos adicionar ao nosso currículo e, como é um núcleo principalmente constituído por estudantes, só é necessário ir à respctiva instuição uma hora e meia por semana, o que não é rigorosamente nada. Ao contrário de muitas pessoas que conheci não foram essas as razões que me levaram a inscrever-me.

Tenho a dizer  que foi o melhor que fiz até hoje desde que entrei para a faculdade. Na maior parte das vezes é muito complicado gerir com os testes, com as avaliações, com o tempo para estudar e, com todas as outras tarefas diárias. Mas depois de sair de lá, muitas vezes cansada, ou cheia de fome, ou cheia de dores de cabeça, porque tomar conta de uma sala com vinte e duas crianças com três anos não é tão fácil como parece. Crianças com três anos estão aprender todas as regras que conhecemos, a manterem-se sentados, calados, quietos, com as perninhas cruzadas, a pedir para fazer xixi e cócó ao invés de fazerem na fralda. Aliás, muitas delas estão a largar nessa idade a fralda e a chupeta. Estão a aprender a falar e, a distinguir as cores e, no fundo só querem brincar, são crianças. Mas, é delicioso lidar com elas, a maior parte das vezes fico lá duas horas ou mais, conforme as actividades.

Na altura, optei por inscrever-me na àrea das crianças, que estão no infantário, porque adoro crianças e, infelizmente não tinha grande contacto com crianças. Na minha familía mais chegada não à crianças e, tinha vontade de lidar com elas. O que se aprende com elas é maravilhoso e, ganho o meu dia só porque elas sabem o meu nome e, ficam todas contentes quando chego lá, muitas chegam e dizem "Olá Rute, bom dia!", ou quando elas dizem "Rutjiii podes desenhar uma casa grande aqui para eu pintar?" ou quando pedem para lhes fazer uma pizza na plasticina porque eles não conseguem. E quando eles nos querem contar tudo e mais alguma coisa, "Oh Rute sabes onde eu fui ontem?", "Olhaaaa a minha mana ontem foi para o hospital, e levou uma pica grande!".

É tão bom recordar as minhas brincadeiras de infância e, sentir-me criança com eles, esquecer durante umas horas os problemas da vida!

No fundo tive sorte na instituição onde fiquei, porque tanto as educadoras como as funcionárias são brilhantes e, depois identifiquei-me com o método de educação, com as actividades que oferecem às crianças que lá estão, umas mais desfavorecidas que outras, porque é um centro social. E sinto-me realizada, sinto-me mais preenchida de cada vez que lá vou, porque se podesse ia todos os dias. A vontade de o fazer é muita e, é tão bom receber um sorriso como forma de obrigado, ou saber que fiz o da daquelas crianças feliz. 

Um dos próximos passos é cortar o cabelo no IPO ou no Hospital S.João, porque doar sangue ou medula infelizmente não posso, devido ao peso, mas um dia que possa irei fazê-lo certamente.

Se ajudar está ao nosso dispor, porque não?

 

 

"Divida o pouco que tem, por quem nem pouco tem, pois não há alegria maior, que a alegria de fazer o bem"

Raul Minh'alma