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Coisas (des)Interessantes

Não penses que o mundo, a vida ou o tempo, te vão devolver alguma coisa daquilo que fazes. Nem tens de pensar isso sequer! Simplesmente faz!

Coisas (des)Interessantes

Não penses que o mundo, a vida ou o tempo, te vão devolver alguma coisa daquilo que fazes. Nem tens de pensar isso sequer! Simplesmente faz!

27
Jan17

Vou-vos contar uma coisa**

mudadelinha

Nunca fui de ter muitos amigos, tenho amigos, mas nem muitos, nem poucos e, tenho pessoas muito próximos, pelas quais nutro um grande carinho e que me são muito próximas e, vão sabendo consequentemente de algumas fases da minha vida. Nunca tive muita dificuldade em adaptar-me a ambientes novos, mudei diversas vezes de escola e isso facilitou as adaptações. Sempre fui, aliás sou, uma pessoa facilmente sociável, que mete conversa com qualquer pessoa (quantas vezes me arrependo disso!! mas ainda não aprendi!), que procura ajuda fácil e, normalmente, sou bem disposta. Sou positiva com a vida, não sou de andar mal-humurada e, facilmente me rio, sou de sorriso muito fácil, o que nem sempre é bom diga-se! Não tenho uma personalidade fácil, tenho os meus defeitos, mas também tenho as minhas qualidades, sou muito teimosa, mas admito facilmente os meus erros e, peço desculpa rápido, quando muitas vezes o erro não foi exclusivamente meu. Se me arrependo? Quantas vezes digo-vos!

O mesmo se passou na faculdade. Mas, já grande parte dos meus amigos e conhecidos, por esta altura, foram para outros sítios, para outras faculdades, para as suas terras-natais. Houveram fases que me senti sozinha, outras que não, mas nunca me dei muito à solidão. Nesta última fase do campeonato, no último ano vá, aproximei-me de três amigas, uma das quais sempre foi minha amiga, a P. Entramos juntas para a faculdade e, sempre nos demos bem, posso dizer que é a amiga que levo da vida académica. As outras duas já conhecia, mas com uma delas tinha uma relação estranha, houve fases que nos dávamos bem, outras que não nos podíamos ver e, outras que suportávamos a presença uma da outra. A verdade, é que começamos as quatro a dar-nos muito bem, tinhamos uma aula juntas no semestre passado e, chegamos a criar um grupo no whatsapp para estar à conversa durante aquela aula. Aquele grupo passou a vida da aula e, era o nosso refúgio. Falamos lá de qualquer coisa e de qualquer assunto, sobre a faculdade ou pessoal. Além de que o respetivo grupo, ultrapassou a barreira da aula, as aulas entretanto acabaram e, nós contiamos sempre a falar. Estávamos as quatro a acabar o curso e, portanto, tornava-se divertido, porque era como se o grupo nos desse sorte, porque era o nosso refúgio, falavámos a todo o tempo, das coisas mais parvas, como das coisas mais sérias. Passaram-se momentos verdadeiramente divertidos!

Uma de nós acabou o curso em setembro e foi viver para Lisboa, porque foi para lá tirar mestrado, mas nada nos impediu de continuar a falar e, sempre que ela vem cá, procurámos sempre maneira de estar juntas. Ficámos três portanto. Três amigas exactamente na mesma situação, quase com as mesmas disciplinas e, sempre a transmitir força para acabarmos o curso agora em Fevereiro! As situações que não criámos de acabar o curso ao mesmo tempo e fazermos uma festa naquela faculdade, fazermos uma viagem as quatro para festejar, irmos para os copos, combinamos até ir passar o Carnaval juntas a Ovar, para descontrair e, festejar também!

 

Bem... perguntam-me agora, o que se passou? Das três que ficamos, a P, a minha amiga, tomou uma decisão, devido à nota de um exame (que vou falar mais à frente), e decidiu não acabar a licenciatura agora, mas só em Junho. Uma situação complicada, mas plausível e, entretanto vai começar o mestrado em Fevereiro, como aluna externa. O que se passou foi que uma de nós, a M. reprovou a uma cadeira, que eu consegui passar, só nós é que estavamos a fazer essa cadeira ainda (FELIZMENTE, porque me esforçei muito, indo mesmo de direta para o exame) e, ficou de tal forma revoltada com o acontecimento, que na segunda-feira, dia em que tivemos o nosso sorteio para a oral interdisciplinar (sim, nós finalizamos o curso com uma oral interdisciplinar, de duas cadeiras, que nos saiem neste preciso sorteio), decidiu nem sequer aparecer, nem atender o telémovel, NADA. Liguei-lhe vezes e vezes sem conta, porque estava em pânico, muito nervosa e, porque não tinha nenhum amigo no grupo de alunos que estava naquela sala, tinha alguns conhecidos, mas ninguém com quem me desse muito bem. Achei estranho mas deixei estar. Senti-me verdadeiramente sozinha naquele dia e, naquela hora. Porque foi todo um idealizar de coisas, que não aconteceram. Entretanto, sairam as notas dessa cadeira e, depois de ter visto a minha, mandei-lhe mensagem a perguntar se estava tudo bem, que não tinha ido ao sorteio, se se tinha passado alguma coisa e, a disser-lhe "Olha já saíram as notas!". Ao que a pessoa me responde de forma não muito agradável, com um "que foi?? deixa-me em paz!! não quero falar com ninguém!!". Aquilo caiu-me mal! Noutra situação não tinha acontecido, mas ali aconteceu. Posso mesmo dizer que por segundos, o meu coração bateu mais rápido e, a vontade de chorar foi alguma, porque não estava à espera. A falta de um "como estás? como te correu o sorteio? tou cansada, não quero falar com ninguém, mas olha um beijinho, depois falamos." disse-me tudo naquele momento. A forma como me respondeu e como falou comigo. Digo-vos que desta não estava à espera. Na semana antes, tinham saído as notas de uma outra cadeira, que nós intitulamos por Cumprimento das Obrigações, e que a par da outra que estava a falar, é um dos cadeirões do nosso curso. E era (e é) a disciplina com que me sinto mais apreensiva e nervosa. Fomos as três fazer o exame, estudamos as três juntas e, fomos tirando dúvidas juntas também. Quando as notas saíram, a M. foi a única que passou, com 11 e, foi a tal disciplina a que reprovei eu e a P. Ainda assim, fizemos uma festa gigantesca, já estava à espera de reprovar naquele exame porque me tinha corrido muito mal, tinha deixado um grupo quase em branco porque entrei em pânico e não soube responder. Fizemos uma chamada as quatro só para lhe dar os parabéns e, por momentos, senti-me mais feliz com a nota dela, do que triste por ter reprovado. São coisas genuínas quando gostamos das pessoas, nem pensamos naquilo que estamos a sentir, porque achamos que as pessoas sentiriam exatamente o mesmo. Mas não, chego à conclusão que até aqui nunca tinha reparado nisso porque sempre que passei, ela passou também, então não haviam motivos para ficar revoltada. E, quando tal não se passou, quando passei e ela não, que só aconteceu uma vez, já estavamos em inícios do Verão e, como andei a trabalhar durante o Verão, desliguei-me completamente do grupo. Na altura disse que tive 10, mas nunca mais falei. Não havia muito que se dizer ali, porque mesmo que dissessem eu não via, e se ela teve uma reação parecida, não soube porque só voltei a estar com ela em Setembro. 

 

As pessoas, os amigos, como lhe quisermos chamar, não sentem o mesmo que nós, principalmente no mundo da faculdade e do trabalho. Não podemos achar que temos alguém inteiramente do nosso lado, a dar-nos toda a força e todo o apoio do mundo, porque não temos. Esses são a nossa familia e, muito provavelmente, o nosso namorado. Porque ninguém quer mais o teu bem, do que o dele mesmo. É esta a realidade. É triste, mas é assim. E eu... já devia ter aprendido isso, mas não! Ainda não aprendi isso, ainda tenho uma pontinha de esperança e de fé, de que as pessoas ao meu redor sejam como eu, que não tenham maldade, inveja e essas coisas feias. Por momentos, acho que não cresci como devia, já devia saber disto à muito tempo, não é a primeira vez. Mas, aprende-se com os erros e, da mesma maneira que já aprendi com outros, aprendi com este também! Estamos sozinhos e, ou nos focamos e lutamos sozinhos por aquilo que queremos, ou nunca vamos conseguir nada, porque ninguém quer que consigamos alguma coisa!

 

 

Bom fim de semana**

 

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 (imagem retirada da internet)

2 mudardelinha

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