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Coisas (des)Interessantes

Não penses que o mundo, a vida ou o tempo, te vão devolver alguma coisa daquilo que fazes. Nem tens de pensar isso sequer! Simplesmente faz!

Coisas (des)Interessantes

Não penses que o mundo, a vida ou o tempo, te vão devolver alguma coisa daquilo que fazes. Nem tens de pensar isso sequer! Simplesmente faz!

30
Nov18

Amor canino

mudadelinha

Antes de mais, sim, eu tenho duas cadelas dentro de casa, que dormem comigo, na minha cama, e com o resto da família, é escolha delas. Uns dias dormem comigo, outros dias dormem com os meus pais, outros com a minha irmã. E, depois a vantagem, é que como são duas, às vezes dividem-se (ou não, é muito raro vá!). A mais nova, a mais mimalha e com mais necessidade de chamar a atenção, anda sempre atrás da mais velha. E, elucido-vos porque é normal não saberem, a Indie tem 2 anos, apesar de ser a maior de tamanho, e a Barbie vai a caminho dos 8/9 anos, não tenho a certeza. São muito bem tratadas, aliás são da família, já contei várias vezes a história delas por aqui e o amor que tenho por cada uma.

A Barbie, a minha Barbie, surgiu nas nossas vidas quando nada se passava na minha família. Éramos, simplesmente, quatro adultos dentro de uma casa, onde cada um se enfiava nos seus cantos, a fazer o que gostávamos, e pouco mais. Não havia grande alegria e a Barbie veio ocupar esse grande espacinho. Não sabíamos que tínhamos tanto amor para dar e para receber, porque ter um animal de estimação é mesmo isso, é receber e dar amor todos os dias, mesmo quando eles só fazem asneira e quando só querem atenção e mimo. Foi dada por uma amiga e ainda me lembro daquele pontinho preto dentro de uma caixa de cartão com buraquinhos para respirar. Era do tamanho da minha mão, não subia escadas, mas saltava e chorava imenso. Lembro-me, perfeitamente, de na primeira noite que passou connosco, devia ter um mês e meio, fiquei com tanta pena de a deixar sozinha, que a levei comigo para o meu quarto, às escondidas dos meus pais, e de manhã, antes de todos acordarem voltei a coloca-la no sitio dela. Mal eu reparei no estado que tinha ficado o meu quarto. Mas o hábito de ter uma ratinha coladinha a mim, a aquecer-me durante a noite, tornou-se tão grande, que mesmo quando já não chorava por estar sozinha, levava-a sempre para a minha beira. E, rapidamente, tornou-se a minha melhor companhia. Quando demos por ela, ela já ficava sozinha pela casa durante todo o dia, sem fazer asneiras, nem roer cuecas nem meias, sem fazer chichi, nem cocó. Sempre que chegávamos a casa, lá estava ela na cama do quarto da frente, a ver-nos da janela que, carinhosamente, deixávamos sempre as persianas abertas, a ladrar e a abanar a cauda, para nos ir receber à porta, fosse quem fosse. E habituámo-nos a ser recebidos assim sempre que entravamos em casa.

A Barbie foi filha única durante 6 anos e quando decidimos ficar com a Indie, na altura Lolita, foi para serem a melhor amiga uma da outra e terem companhia. Não pensava em ter mais nenhum bicho em casa, mas quando vi as primeiras fotos da Indie, em tamanho miniatura, ela tinha as cores dos pandas e parecia o meu primeiro cão, o índio (sim, daí o nome!), e não conseguimos resistir. Lá a trouxemos, com a promessa que seria de tamanho pequeno/médio, mas que desconheciam o pai da cria. Como a mãe não era muito grande, acreditamos e bem. Mas, a Indie em pouco menos de 5 meses ficou um vitelo, enorme, pesada e pastelona, que só come e dorme, e quanto mais comer, melhor. Ao contrário da Barbie, que é mais arisca e mais esperta, meiguinha para os de casa, mas que ninguém lhe meta a mão fora de casa, a Indie é a cadela mais meiguinha que conheço, com medo de tudo e todos, com qualquer barulho se esconde, assume sempre os erros antes de alguém lhe ralhar ou de até ver a asneira. Adora ocupar o sofá e a cama toda, dormir de perna ao léu e de dormir em cima de mim, de forma a eu cair ao chão, ou de não me conseguir mexer toda a noite. Para a tirar do sitio onde se deita é preciso arrastá-la e, ainda assim, com muita força. E é uma cadela burrinha, a inteligência dela não dá para muito, ladra para o ar, corre atrás de moscas e gatos que nunca existiram, e vem sempre que a chamam, mesmo quando lhe estamos a ralhar.

São a nossa melhor companhia, sempre bem tratadas, porque se não fossem era impossível mantê-las dentro de casa e era impossível manter a casa minimamente apresentável e, acreditem ou não, a casa está sempre apresentável ao público e a quem cá entre. Aspiramos a casa as vezes que forem necessárias e criamos regras e territórios, elas sabem perfeitamente que o espaço delas é o escritório e não fogem muito dali. Temos a sorte de ter terraço, que também é o espaço delas, apesar de todos os dias irem passear.

Ter animais de estimação é ter melhores amigos para a vida e, muito melhor que amigos, porque nunca nos largam. Cada uma à sua maneira, são as minhas melhores amigas.

 

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A Barbie em força chouriço espalmado.

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É fácil entender o nome da Indie: ela tem 3 cores, como o Indio, o meu primeiro cão, tinha: preto, branco e castanho.

 

20
Nov18

A minha maior dificuldade como advogada estagiária

mudadelinha

Esta saga começou há pouco mais de um ano, quando pensei estar a decidir com o coração e fiz a primeira má escolha do meu percurso profissional. Cresci muito com essa má escolha, muito mesmo, porque essa má decisão abalou e estragou a possível magia do inicio desse percurso e foi uma grande chapada e um grande choque.

Dessas más decisões, que tomaremos ao longo da vida julgo, não podemos fazer muito. Cinco minutos são para nos lamentarmos, mais uns minutos para chorar (quando preciso), e os minutos, horas e dias seguintes é para levantar a cabeça e pensar no que vem a seguir. E foi isso que tentei fazer, não me lamentar muito (não vale de nada não é verdade?), erguer a cabeça, ter calma e lutar por melhor. Aprendi que hoje pode não correr bem, mas amanhã pode correr melhor, é só preciso ter calma e pensar positivo.

Além da entrada neste mundo, com o qual pouco ou nada me identifico, além das adversidades de um estágio não remunerado, tenho conseguido esforçar-me e dedicar-me, levantar-me de manhã com o mínimo de ânimo para o dia que se avizinha. Mas, é difícil quando além destes fatores, não te identificas de todo com o mundo onde trabalhas e pensas que ainda falta um ano para poderes trabalhar sozinha, teres os teus horários, ambicionares mais um bocadinho e seres tu, no teu local de trabalho.

Das primeiras dificuldades que enfrentei e, que já falei aqui, foi a etiqueta no vestuário. Sou uma pessoa muito simples, não desajeitada, mas simples de natureza, para quem umas calças, uma blusa e umas sabrinas estão mais que bem, e se for sapatilhas está melhor ainda. A verdade é que ir trabalhar assim para um escritório de mulheres que andam todos os dias de saltos agulha, se maquilham e se arranjam todas, não e lá muito confortável. Tenho tentado ser eu, marcar a diferença, não perder a minha identidade, vestir-me como sinto confortável, para me sentir dentro desses padrões, ou lá perto pelo menos. Arranjei truques para isso e até o que compro é sempre a pensar nisso.

Depois confesso que dentro deste mundo não é tudo como parece cá fora, ou como quer parecer. Há dias que me apetece pegar nas minhas coisas, fechar a porta e não voltar mais, mas não posso. Estou na 2ª fase de um estágio de advocacia em que o objetivo é já termos autonomia e independência para fazermos coisas sozinhos, já termos mais conhecimentos do que aqueles conhecimentos teóricos que aprendemos durante a licenciatura e o mestrado, e para isso é que este estágio é dividido em duas fases: uma primeira fase, de oito meses, que consiste em aulas das matérias mais importantes e, uma segunda fase, de um ano, onde temos um conjunto de obrigações para preencher, como intervenções orais, assistências acompanhadas e sozinhas e subscrever peças, que devemos ser nós a fazer as mesmas. Mas, há sempre volta a dar. A primeira fase, apesar de importante, não é mais do que relembrar aquilo que já sabemos, ou que devíamos saber e, a segunda fase é a continuação.

Posso ter sido eu que tive azar no estágio, não creio, porque não sinto que, durante o meu tempo de escritório na primeira fase, aquela em que não podemos fazer nada sozinhos, mas que devemos aprender, tenha aprendido alguma coisa, além do que já sabia. Então, nesta segunda fase, como a corda aperta e tenho de fazer relatórios do que ando a fazer, estou a fazer o que devia ter feito na primeira, e o que devia estar a fazer na segunda. Ou seja, dois em um, e isso não é mesmo nada bom. Primeiro, porque acham que já devemos saber tudo, e isso é mentira, se não nos acompanharam como devia ser na primeira fase. E, segundo, porque devemos continuar a ser acompanhados na segunda, porque somos simples estagiários.

Grande parte das vezes sinto-me desmotivada, outra grande parte das vezes sinto que sempre que vou para o escritório é tempo perdido da minha vida. Há dias que venho para o escritório que estou uma tarde completa a fazer atualizações numa legislação que nem é minha. E passo-vos a explicar. Atualizações a códigos é cortar e colar, tipo trabalhos manuais da escola, que compete a cada profissional e não a estagiários, porque isso foi o que fiz ao longo de toda a minha licenciatura, manter a minha legislação atualizada, porque seria penalizada nos exames se não o fizesse. Além disso, não é trabalho da segunda fase.

Por um lado, já só quero que o estágio acabe, a ansiedade toma conta de mim quando penso se em Abril terei tudo o que preciso para ir a exame, e já só faltam 5 meses, interrompidos pelas férias judicias do Natal, da Páscoa e pela mais recente greve dos magistrados judicias que começa hoje.

 

A ideia é manter sempre o pensamento positivo, nem sempre é possível confesso, mas a luta é mesmo essa, é não desmotivar e pensar que estou a aprender o suficiente para em setembro/outubro do próximo poder safar-me sozinha, porque aí, nessa altura, já não sou estagiária. E será que estarei preparada? A saga, como devem imaginar, tem continuação. Até Abril ainda faltam 5 meses.

 

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(a imagem é daqui)

 

19
Nov18

Luxemburgo, um país pequeno mas surpreendente

mudadelinha

Falar da minha visita ao Luxemburgo e tentar fazer um apanhado do país é um bocadinho injusto, sinto que não estive o tempo suficiente, ou que não fiz o suficiente para poder falar sobre isso. Tive lá dois dias, um deles fiquei sozinha em casa, porque chovia imenso, saíamos só à noite até à capital. No domingo visitamos uma vila muito engraçada e voltamos à capital para visitar a Notre Dame, do Luxemburgo. Como visitei grande parte à noite, não entrei em nada, prefiro partilhar as melhores experiências ou o que gostei mais, por assim dizer.

  • No domingo que estive lá era dia 11 de Novembro. Nem associei isso e nunca me lembrei que andamos em comemorações e homenagens pelo Armistício da 1ª Guerra Mundial, ando um bocadinho desligada sinceramente. Mas, no domingo à tarde, apanhámos as comemorações no Luxemburgo e, como digo sempre, são coisas que vemos uma vez na vida muito possivelmente. Não vi tudo, nem estive até ao fim porque não tinha tempo e porque chovia, mas quis assistir ao inicio e foi maravilhoso.
  • Nunca visitei a Catredal de Notre Dame de Paris, mas adorei a de Luxemburgo. Assistimos ao ensaio do coro e acendemos velas para não quebrarmos as tradições. Adoro acender velas quando entro nalguma igreja, a qualquer lugar que vá.
  • Luxemburgo é um país pequeno, visitamos ainda a universidade e foi um dos sítios que mais gostei de visitar pela diferença, pela arquitetura, é mesmo muito bonita.

Luxemburgo é um país, como sabemos, com muitos portugueses e isso torna-se reconfortante, porque sentimo-nos em casa. Em qualquer lugar encontramos um português a trabalhar, a passear, pode ser estranho, mas acabamos por nos sentir em casa, e é muito bom.

 

Deixo-vos então algumas fotos da minha autoria (do meu telemóvel aliás) e alguns comentários.

 

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A vista, à noite, da praça onde está a Gëlle Fra, memorial de Guerra. 

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Aqui foi onde ficamos alojados, uma vila chamada Dudelange. Adorei esta praça e nem sei como se chamam aqueles edificios redondos que vemos na foto, já se vê poucos em Portugal, mas adorei. A casa tinha vista para esta praça.

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A vila que visitamos no domingo de manhã, que se chama Differdange, tinha um parque muito engraçado. É outono e a cor predominante era o amarelo.

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A vista para a catedral de Notre Dame.

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Da mesma praça onde está a Gëlle Fra. Aqui na foto não se consegue perceber muito bem, mas esta ponte tem passagem pedonal na parte de baixo.

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E a mesma vista da primeira foto mas desta vez de dia.

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As comemorações do dia do armisticio, com o duque e a duquesa.

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A catedral de Notre Dame vista de dentro e o coro a ensaiar.

 

Não conheci tudo o que gostava do Luxemburgo, acho que é um país desvalorizado relativamente ao turismo, mas que tem muito para ver e é lindo. Não deixem de ir porque tem a sua magia. Não será passagem obrigatória, mas gostava de voltar e conhecer mais um bocadinho.

14
Nov18

Sozinha por Barcelona

mudadelinha

Viajar sozinha há muito que estava nos meus planos, mas como tudo o que significa sair da nossa zona de conforto, ficava sempre para segundo plano. Muitas vezes por falta de estabilidade financeira, outras por medo de arriscar e não correr bem. Sabia que a primeira vez teria de ser algo confortável, algum sitio com o qual me sentisse minimamente confortável e à vontade caso alguma coisa não corresse bem e precisasse de ajuda. Para alguém, como eu, que não tem o melhor nível de inglês e, por falta de prática e muita preguiça, está completamente enferrujado, ou estava, porque a viagem a Malta fez-me sair dessa zona de conforto.

Viajar é tudo de bom, só é preciso dinheiro, houvesse dinheiro e ninguém me via em casa. Mesmo quando alguma coisa não corre como o esperado. Saímos da nossa zona de conforto, do nosso país, ou da nossa zona, para conhecer outras culturas, outros hábitos, outras formas de viver, pessoas, cheiros, gastronomia e isso quase que nos obriga a desenrascarmo-nos num mundo que não é o nosso. Para mim isso oferece-nos uma bagagem emocional e cultual fantástica. Digo inúmeras vezes que o meu melhor gasto é quando vou conhecer outros sítios, em viagem ou férias.

Nos dias que correm ainda há muito o ‘preconceito’ de que viajar é só para quem é rico e tem muito dinheiro, o que cada vez é mais mentira, principalmente dentro de continentes. Nem quero discutir isso ou entrar nessa conversa porque cada um pensa como quer e tenho mais que respeitar. Mas, mal vim de Malta tive uma colega de trabalho que me disse “Se eu tivesse o vosso dinheiro também ia!”. Esses tipos de afirmações mexem comigo, quando minutos antes tinha dito que comprou o casaco que tinha vestido por não-sei-quanto. E eu não julgo ela ter comprado o que quer que seja, da mesma forma que ela não tem de julgar eu ir de férias, porque cada um faz o que entende com o que é seu. Mas, um colega que estava comigo respondeu-lhe e bem “O valor que destes por esse casaco e por muitos outros, que se calhar nem precisas assim tanto, porque amanhã vais vestir outro, podes gastá-lo como tu quiseres!”. E é deste tipo de pensamento que falo e deve haver por aí alguém que me entende.

Quando os meus pais me disseram que iriam ao Luxemburgo em novembro, a ideia de ir ficou a pairar na minha mente. Mas, ponderei por muitas razões. Primeiro porque tinha acabado de vir de férias e não era um país que me suscitasse assim tanta curiosidade. Mas, uma pessoa quando vai fica com o bichinho. Viajar é viciante.

Mas, era mais um país que ia conhecer e cada país tem a sua magia, além de que é um país estrategicamente bem localizado na Europa, que fica perto de outros sítios interessantes, e era só apanhar um comboio ou autocarro, como para a Alemanha (Frankfurt, Colónia), Bruxelas e, mesmo a capital de Luxemburgo pareceu ter muito mais a oferecer do que aquilo que parece. E, como os meus pais tinham tirado o dia de sábado para irem ver uns amigos, eu poderia ter aquele dia para mim.

Quando decidi de forma definitiva que iria com eles os voos estavam caríssimos, mas quando vos digo caríssimos é a 300€ só a viagem para lá. Disse logo que não, era impensável aquele valor. Mas, à medida que pesquisava os voos, apareceu-me a hipótese de fazer um voo diferente dos meus pais, com escala de 6 horas em Barcelona e chegava ao aeroporto de Luxemburgo bem mais cedo que eles, mas o preço estava mais acessível. Não pensei muito bem no assunto, só dei a certeza à minha mãe que ia, e tirei os bilhetes.

Quando contei ao L. ele riu-se, mas olhou-me de forma assustada e disse-me “Sabes que vais sozinha?”. Sim, porque eu quando vi que a escala era de 6 horas, nunca me passou pela cabeça ficar no aeroporto a criar raízes, disse logo que queria sair para ir passear e conhecer. Confesso-vos aqui que mais de metade das pessoas a quem contei o sucedido me disseram para não sair do aeroporto porque estava sozinha, com exceção do L. e de um amigo que adora viajar.

Foi espetacular, por mim ia já amanhã novamente. O melhor conselho que tenho a dar a qualquer pessoa, que tenha o mesmo medo que eu tive durante anos, é que enquanto não arriscarem nunca o irão perder. Quando não temos muita companhia, horários compatíveis com os nossos companheiros e amigos, nada melhor que arriscar. E, claro que preferia ter ido com o L., mas foi tão bom ter aquele dia só para mim. Arriscar apanhar o comboio, andar pelas ruas de Barcelona só com a música a fazer-me companhia, foi delicioso. Não foi solitário, não foi triste. Quando pousei os pés no Passeig de Gràcia, que dá para a Casa Batló, arrepiei-me e vieram-me as lágrimas aos olhos, porque estava ali sozinha e tinha conseguido desafiar-me a mim mesma.

Tinha traçado previamente um roteiro muito pequeno, a ideia era sair na Casa Batló, ir até à Praça da Catalunha, tomar um café por lá e ler o meu livro durante um bocado, apanhava o autocarro e seguia para o aeroporto. Informei-me de tudo antes de lá chegar, o comboio, o tempo que cada viagem demorava, o autocarro, tudo, que era para me antecipar caso alguma coisa não corresse bem. Correu tudo bem, já tinha estado em Barcelona há muitos anos atrás (há quase 15 anos) e, além destes dois sítios, ainda conseguia ver mais e andar mais, passei pelas Ramblas, pelas ruas minúsculas onde está, por exemplo o Museu de Picasso, que visitei quando fui a primeira vez. E é muito fácil andar em Barcelona, muito fácil encontrar as coisas. Além, de que é uma cidade linda e mágica.

 

Disse, desde inicio, que era perigoso deixarem-me ir sozinha, porque se corresse bem ia ser um vicio. E confirmasse. De uma próxima vez falo-vos sobre Luxemburgo.

 

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(a estação de comboio sai mesmo aqui, é do outro lado da rua da Casa Batló, por isso muito fácil de lá chegar)

 

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(a Praça da Catalunha, que estava atolhada de pombos)

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(e a minha aura de apanhar sempre casamentos ou sessões fotográficas de noivos, sempre que vou a algum sitio emblemático)

 

*Todas as fotografias são da minha autoria.

 

08
Nov18

Da saga de destralhar

mudadelinha

Vou começar por confessar-vos, acho que nunca o disse, que desde menina que sempre fui muito desarrumada e desorganizada. A idade e a maturidade começaram a dar frutos, relativamente a isso e, desde os meus 15/16 anos, comecei a ganhar mais gosto, a ser mais arrumadinha e a gostar de ver as coisas mais organizadas, principalmente o meu quarto. Ainda assim, durante anos sempre acumulei muita, muita coisa, que já contei por aqui. Não me perguntem com que finalidade, porque nunca vou saber responder a isso. Desde papéis, a tralha mesmo, como caixinhas, fios, panfletos não-sei-de-quê, recadinhos da não-sei-das-quantas. Tenho a dizer-vos que o meu quarto era um sem fim de coisas sem utilidade nenhuma, que só estavam a ocupar espaço, porque já nem recordações eram.

Nunca pensei ser capaz de tal, não mesmo, mas comecei a ficar com o quarto completamente entupido, e tinha sempre a minha mãe a dizer-me “Olha que tens um quarto enorme, não te queixes que tens um quarto pequeno, começa a deitar ao lixo metade do que tens para lá e vais ver que tens muito espaço!”. Durante anos, ela dizia-me isto e nem sempre têm razão naquilo que nos dizem. Sempre me senti uma pessoa muito apegada às coisas, que gostava de ficar com o bilhete da primeira ida ao cinema, ou ao teatro, ou a um concerto, ou aquela camisola que vesti não sei quando e me fazia lembrar alguém. Esta era eu, tal e qual.  Mas, cheguei a uma determinada fase, mais quando comecei o mestrado, que queria organizar as coisas do mestrado e não tinha espaço. A verdade é que me faltava uma ou duas estantes, porque a minha, apesar de grande, já não dava para tanta coisa. Aliado a esta necessidade de organizar, não propriamente de destralhar, entrei numa fase em que sinto que pode faltar cada vez menos para sair de casa, juntar-me com o L. talvez. E quando penso que tenho de levar tudo o que é meu, ou o que me é essencial, pelo menos, assusta-me, ou assustou-me na altura, já não me sinto tão aflita agora, porque sinto que tomei o caminho certo.  Quando surgiu a oportunidade de adquirir uma estante, ou qualquer outro móvel que me facilitasse a organização, pensei nisso também, que era um investimento a longo prazo, possivelmente será uma das coisas que vou levar quando sair de casa e que já não vamos precisar comprar e é algo que é meu. O meu quarto não tinha muito espaço para nada muito grande, porque apesar de espaçoso, não está muito bem desenhado, e por isso nunca comprei nada antes, mas pensei “Posso arranjar um espacinho durante alguns tempos, porque mais cedo ou mais tarde quero sair de casa, quando tudo se alinhar nesse sentido.”

Esse foi o primeiro dos passos, comprei as ditas estantes, acabei por comprar duas porque estavam a um preço interessante, mas acabaram por estar vazias durante uns largos meses, ou porque não tinha tempo para começar a arrumar, ou porque estava cansada e queria era esticar-me na cama, um sem fim de desculpas. Quando comecei a ter mais uns tempinhos livres, lá tomei a decisão. E todo este processo de destralhar e deitar muita coisa ao lixo (outra doei) começou por aqui, quando comecei a tirar as caixas e caixas que tinha nos armários, e comecei a ver papel a papel, folha a folha. O que começou numa simples arrumação das minhas tralhas da faculdade, alastrou-se a toda a minha vida. Quando me apercebi da quantidade de lixo que tinha acumulado, dentro do meu próprio quarto, entendi que tinha de mudar. Não só o que tinha no quarto, porque mudar apenas o meu canto não ia adiantar de nada, mas tinha de ser eu a mudar primeiro, a minha maneira de ser, estar e pensar. Sou-vos mesmo sincera e pode parecer exagerado, mas custou-me imenso perceber isso, senti-me um bocadinho perdida dentro do meu próprio mundo. Mas comecei a ler algumas coisas, a procurar informação sobre o assunto e percebi que devagar devagarinho ia conseguir chegar lá, que não podia ser tudo de uma vez porque não ia conseguir e que tinha de começar pelo físico, para depois aperfeiçoar o interior. E foi uma limpeza interior e espiritual maravilhosa livrar-me de mais de metade das coisas que tinha guardadas. Grande parte das vezes recordações só nos trazem energia negativa e pessimismo, e guardar o passado não é uma boa ideia.

 Como já contei por aqui comecei pelos meus papéis, e digo papéis porque eram coisas da faculdade, do secundário, do ensino básico, livros, capas. Essa foi a minha primeira e grande mudança. E demorou muito mais do que aquilo que pensava, e ainda não acabou. Depois de ver isso minimamente aceitável comecei pela roupa e aproveitei a altura em que o fiz, mais ao menos na entrada da Primavera e pensei “Bem, vou aproveitar e trocar já umas coisas pelas outras, assim obrigo-me a rever tudo o que tenho, o que quero e o que não quero”. Fiz sacos e sacos de roupa para dar, outras coisas pus mesmo ao lixo porque senti-me incapaz de dar aquilo a alguém. Outras coisas aproveitei para reciclar e reaproveitar, porque gosto imenso de coisas feitas à mão e de perder tempo com essas coisinhas.

Depois de ter conseguido destralhar e arrumar quase tudo, veio a pior fase desta mudança, não voltar a acumular. Os primeiros meses foram fáceis porque andava muito por casa e conseguia manter tudo organizado. Quando começou o verão ficou tudo virado ao contrário e custou-me horrores ver aquilo, mas não consegui controlar. Consegui não acumular quase nada, sinto-me muito orgulhosa com isso, significa que a mudança interior foi positiva, mas a nível de arrumação é melhor nem falarmos sobre isso. Mal comecei a ter uns tempinhos livres meti mãos à obra e foi, sobretudo, quando voltei de férias que comecei novamente a limpar e a arrumar tudo.

Nesta segunda fase de arrumações apercebi-me que é importante não arrumar só uma vez, mas irmos arrumando sempre, ou seja não fazer só um destralhe, mas fazer vários. A primeira vez custa, a segunda já não custa tanto e por aí fora. Há sempre uma coisa que olhamos para ela uma terceira vez e não faz sentido tê-la ou estar ali. E chamo a isso destralhar.

Os meus próximos objetivos neste campo passam por deixar sempre o meu quarto limpo, arrumado ele costuma ficar, mas sou um bocadinho preguiçosa para aspirar e limpar pó. Quero ainda arranjar lugar para tudo, sempre gostei muito da ideia de ter as coisas arrumadas em caixas ou cestos, e gosto muito da ideia de etiquetar cada coisa, ou seja, dar nomes às coisas, como “caixa das camisolas de inverno” e “caixa dos lenços e cachecóis”. Facilita imenso a minha organização.

 

Esta mudança foi uma das mais difíceis que decidi fazer este ano, foi difícil, mas foi inspirador e trouxe-me a tranquilidade que tanto esperava.

Agora é continuar, é sempre o objetivo.

 

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 (esta imagem não é minha, encontrei-a algures no pinterest)

 

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