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Coisas (des)Interessantes

Não penses que o mundo, a vida ou o tempo, te vão devolver alguma coisa daquilo que fazes. Nem tens de pensar isso sequer! Simplesmente faz!

Coisas (des)Interessantes

Não penses que o mundo, a vida ou o tempo, te vão devolver alguma coisa daquilo que fazes. Nem tens de pensar isso sequer! Simplesmente faz!

09
Out18

4 dias em Malta

mudadelinha

Estou de volta e para vos mostrar um bocadinho da minha viagem a Malta.

 

 

Andamos a programar esta viagem, digo-vos, desde setembro do ano passado, altura em que decidimos começar um mealheiro de moedinhas, de onde conseguimos pagar os bilhetes de avião. Não é nenhuma viagem às Maldivas, ok, tudo bem, mas para os nossos bolsos as férias e viagens precisam e devem ser contadinhas, no sentido em que gostamos de juntar para termos uma noção do que podemos e do que não podemos fazer. Queremos sempre muita coisa não é verdade? Queremos viajar o mundo todo de lés-a-lés, mas primeira vamos olhar para a conta bancária, porque no fim ela é que decide. Pode parecer exagero dizer isto, mas é verdade, o esforço é nosso, mas, no fim, o que decide se podemos ou não, é o dinheiro e como sempre o dinheiro. Ainda não se pode viajar de graça, infelizmente. E não venho aqui discutir o preço do dinheiro na vida de qualquer um, prefiro discutir o valor do esforço e da dedicação de cada um, ou nem isso porque não gosto de discutir sobre nada.

Voltemos ao assunto, tínhamos Malta em cima de vista há realmente muito tempo, e este país tinha surgido do conselho de um amigo, no fim das férias caseiras que fizemos em 2017. Temos um amigo em comum que viaja imenso, já foi a Malta há mais de 15 anos, e no meio de uma conversa lá atirou “Olha, Malta é que era fixe para vocês, já pensaram nisso?”. Já pensamos em tudo, pela nossa vontade nem estávamos cá e continuávamos em Malta, mas, na altura, aquilo ficou-me. Viajar, para mim, é das melhores coisas que a vida nos dá, principalmente nos tempos que correm. O contacto com outras culturas, com outras histórias, a aventura, o conhecimento, paladares e cheiros diferentes, as temperaturas da água, o calor e o frio de outros países, mas, principalmente, a cultura. O choque cultural. Só por isso viajava o mundo todo, só a curiosidade de conhecer outras culturas, completamente diferentes da minha, da nossa.

Ao fim de meses e meses a ver preços, ler blogs, ver canais de youtube, lá conseguimos a viagem muito barata para os valores que, inicialmente, tínhamos visto e conseguimos não gastar todo o pé-de-meia que juntamos ao longo do ano. Os pequeninos passos que fomos dando foram um pequeno orgulho, são sempre, mas esta viagem teve um sabor muito especial, muito por causa disso.

Depois de conseguidos os voos, a luta seguinte foi o hotel. Andámos mais outros não-sei-quantos meses a discutir o hotel. Reservamos um hotel, que logo de seguida desmarcamos. Reservamos outro e acabamos por desmarcar para voltar à primeira escolha. Quem nunca? Andámos até à última para escolher o hotel.

Inicialmente, a nossa ideia era alugar um carro ou uma mota, mas como jovens inocentes que somos, nenhum tem cartão de crédito físico. Para comprar viagens usamos o mbway, e nunca tivemos necessidade de um cartão de crédito. Então, a nossa dificuldade com o carro começou logo aí, além das cauções altíssimas que nos pediam, quer dizer era praticamente deixarmos o nosso dinheiro todo de férias no rentcar. Mas, digo-vos, bendita a hora que não conseguimos alugar carro, porque os transportes públicos em Malta são a coisa mais fácil de todo o sempre para quem está habituado a andar na STCP no Porto.  E este é o melhor conselho que posso dar a quem equacione ir até Malta. É possível fazer-se a ilha toda de transportes, primeiro porque a ilha é pequena e a distância entre atrações também, e segundo porque os transportes públicos funcionam realmente muito bem, muito pontuais e disponíveis para qualquer questão, com horários fáceis à disposição, com imensas linhas e redes. Muitas vezes queríamos apanhar um determinado autocarro porque era mais rápido, mas podíamos apanhar o primeiro que aparecesse porque ia para o mesmo sitio só que demorava mais 10 minutos.

Não quero descrever, pormenorizadamente, o que fiz em Malta, a minha ideia era apenas deixar algumas dicas e transparecer o amor que trouxe pela pequena ilha no Mediterrâneo.  Claro que ao fazê-lo vou acabar por contar o que andei a fazer, mas acho que para isso já existem imensos blogs e canais de youtube, é só procurar, porque encontramos imensa coisa, inclusive viajantes portugueses e nós não fugimos muito desses roteiros, com exceção de que só fomos 4 dias e deveríamos ter ido mais.

  • A primeira grande dica que posso deixar sobre Malta é mesmo a que acabei de falar: se não tiverem necessidade da comodidade de um carro, utilizem os transportes. Fáceis e baratos, cada ticket custa 2€, mas dá para duas horas, aliás o próprio ticket assinala lá a validade, mas há a possibilidade de comprarem aqueles passes semanais que de certeza que compensam, mas que não o fizemos, lá está, porque tínhamos a ideia do carro. Além de que os transportes públicos permitem-nos conhecer o país fora das zonas turísticas e adoramos isso.
  • A segunda dica é sobre o alojamento. Malta é uma ilha pequena, onde é fácil de chegar a todo o lado, qualquer dos pontos turísticos parecem-me bons sítios para se ficar alojado. Nós ficamos em Buggiba e adoramos. Não é o maior ponto turístico, mas é um lugar calminho, com lojas, bares e restaurantes, mas sem grande confusão e sem grandes barulhos e num ponto estratégico da ilha, porque fica muito bem localizado, com três ou quatro paragens de autocarros, com autocarros a toda a hora e situado, praticamente, no meio da ilha, ou seja, era fácil de se chegar quer ao lado norte, quer ao lado sul, como a Mdina (antiga capital) e Rabbat, como ao porto dos ferrys para Gozo e Comino.
  • Por falar em Gozo e Comino (onde está a lindíssima Blue Laggon) que são as outras ilhas de Malta, ir a Malta e não visitar estas duas ilhas, não é ir a Malta. Os ferrys são baratos e a melhor dica que posso dar para fazerem esta visita é fazerem as viagens ao contrário para evitarem filas. Normalmente, pelo menos do que li e ouvi e seguida pela minha experiência, faz-se Malta-Gozo-Comino-Gozo-Malta, quando é possível fazer-se Malta-Comino-Gozo e voltar-se a Malta, e evitar aquelas filas gigantes. Ah! Outro pormenor que nos falhou, mas que nos era um bocadinho indiferente, se houver tempo para isso, vale a pena tirar um dia para cada uma das ilhas. Um dia para a ilha de Gozo e outro para a ilha de Comino. Comino reduz-se muito à Blue Lagoon (compreende-se depois de se ver a cor daquela água), mas é uma ilha linda, que merece uma bela caminhada para conhecer as restantes praias e dar um mergulho em cada uma delas.
  • Outra das melhores dicas que tenho para quem gostava de ir a Malta, é acordar cedo para tudo. Malta não é de todo um destino de praia, muito pelo contrário, a magia de Malta não está nas praias, está em tudo o resto, e há muito para visitar e conhecer. No nosso caso, que só fomos 4 dias (fomos 6, mas 2 foram de viagem) fizemos tudo a correr e muito ficou por conhecer. Por aqui e nesta linha de raciocínio valeria a pena alugar carro, porque é sempre mais rápido e confortável, mas também foi possível de transportes e não foi mesmo por falta de tempo que não conhecemos mais, foi mesmo pelo cansaço físico.
  • A nível de alimentação vou continuar a bater na mesma tecla, é um país turístico, ou pelo menos nas zonas turísticas extremamente barato e acessível. Admito-vos que comemos sempre por pouco mais de 20€ os dois e experimentamos comida típica. A nossa refeição mais cara, que foi no último dia, rondou os 40€ (os dois, sempre os dois) mas porque quisemos experimentar a especialidade do país, que é o coelho e já sabíamos de antemão que seria mais caro, ainda assim com cafés, sobremesa e vinho não achei tão caro quanto isso.
  • As línguas oficiais do país são o maltês e o inglês e a moeda é o euro, pelo que não houve qualquer dificuldade nesse sentido.
  • Duas dicas práticas, para nós bastantes importantes: a mão de condução é britânica, ou seja, completamente diferente do que estamos habituados e a tomada elétrica também é britânica. Soubemos disto à última, no dia antes de embarcarmos e fomos apressados comprar uma tomada adaptada.
  • Se forem a Malta com tempo podem dar um saltinho a Sicilia, em Itália, há ferrys e são baratos e há muitas pessoas que fazem isso, ou o contrário, aproveitam para ir de Itália a Malta. 

Adorei Malta, valeu muito a pena, fica a promessa de um dia voltar e agora pensamos na Croácia, se houver disponibilidade para tal. Vou deixar algumas fotos, da nossa autoria.

 

 

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 Imagem panorâmica de Valleta, a capital de Malta.

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 Como não podia deixar de ser, estas duas fotos são da Ilha de Comino e a última é da Blue Lagoon. Só a cor da àgua é qualquer coisa.

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 O passeio de barco que fizemos às Blue Grotto e adoramos.

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 Esta baía que vemos é St Peters Pool. Aconselharam-nos a não mergulhar porque o mar estava a prometer tempestade e, efetivamente, depois de virmos embora, passou um tufão por Malta. Mas, adoramos o passeio de barco que fizemos aqui, nunca andei tanto de barco na minha vida, sem enjoar.

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 A vila piscatória de Marsaxlokk, onde encontramos uma portuguesa a trabalhar num restaurante. Vale a pena visitar esta vila aos domingos, quando há o mercado do peixe e os pescadores vendem o seu peixe, e a marginal parece as nossas feiras, cheias de comerciantes a venderem souvenirs, roupa, calçado e afins.

 

 

“uma minúscula chama brilhante na escuridão”, Franklin Roosevelt

 

11 mudardelinha

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