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Coisas (des)Interessantes

Coisas (des)Interessantes

19
Jun20

Séries da Netflix que todos devíamos assistir: Unorthodox e Kalifat

mudadelinha

Quando decidi ver Unorthodox sabia perfeitamente que não era o meu género de série, mas o thriller chamou a minha atenção. A ideia de assistir foi sair da minha zona de conforto habitual e ver algo diferente, que numa situação normal não o faria por iniciativa própria.

Unorthodox é muito mais que uma minissérie da Netflix, porque isso acho que há muitas, dos mais variados géneros. Unorthodox é uma minissérie que devia ser assistida por todos, homens e mulheres, crianças e adultos, por razões muito simples: a mensagem que ela transmite ultrapassa e muito as razões históricas que estão subjacentes.

Unorthodox é uma minissérie sobre uma judicia hassidica de Brooklyn que foge a um casamento combinado e vai para Berlim, onde um grupo de músicas, que se tornam seus amigos, a acolhe, até que o passado, do qual ela fugiu, lhe bate à porta.

Para quem desconhece por completo o tema e a história o google é um bom amigo. Esta série começa por nos mostrar as tradições religiosas e os costumes destas comunidades e desta religião. E, é sabido por todos, que os casamentos combinados continuam bem presentes nos dias atuais pelo mundo fora, não só nesta como noutras religiões, e o papel submisso da mulher também. E Unorthodox é um abre olhos para este tema. A personagem principal Esther Shapiro, interpretada pela Shira Hass, é uma jovem com sonhos, que decide correr atrás deles. É arrepiante pensar que para isso precisa de fugir do seu ambiente, da sua zona de conforto, do sítio onde foi criada e onde cresceu, da sua família e amigos, e onde aprendeu tudo o que sabe até ao momento. Apercebemo-nos disso ao longo dos episódios, porque ela não foge dos seus costumes, ela não os larga completamente, bem pelo contrário. Mas é uma lufada de ar fresco. O final fica em aberto, prefiro imaginar que Esther conseguiu correr atrás dos seus sonhos e que conseguiu alcançá-los.

 

 

Kalifat, apesar de abordar alguns pontos temáticos comuns, com especial relevância para o papel das mulheres, centra-se noutra religião, noutras tradições religiosas, e numa outra problemática, não mais atual, mas acredito que seja do conhecimento de mais pessoas. Diria que é das melhores séries deste ano da Netflix, mas é uma série diferente. Não acho que seja viciante, mas para quem é curioso sobre estes temas e quem procura ter mais conhecimento sobre eles, sim, é viciante e é uma série espetacular, muito bem retratada e interpretada por todo o elenco. Acho mesmo que a série transmite a mensagem mais pura e transparente de que nada é garantido, e que temos de lutar por tudo o que queremos, tal como Unorthodox. A série tem 10 episódios que duram aproximadamente 50 minutos.

Kalifat retrata uma mãe em apuros, uma estudante determinada e uma polícia ambiciosa, que se vêm envolvidas numa série de ataques iminente do Estado Islâmico cujo alvo é a Suécia. A série envolve várias pessoas com histórias diferentes, que acabam por se cruzar na iminência dos ataques planeados.

O que mais me chamou a atenção durante esta série foram as imagens da Síria e a história da personagem principal: Pervin, esposa de um membro do ISIS. Pervin é a mulher dividida entre dois mundos, a quem é oferecida uma oportunidade. Fátima, a polícia sueca, diz-lhe que poderá tirá-la da Síria de forma segura se ela descobrir e revelar informações sobre o Estado Islâmico. E, apesar do medo e de todas as dúvidas que surgem pelo caminho, ela nunca desiste de tentar, por ela e pela filha que é bebé.

O final não é feliz, mas também nos mostra que nem todas as histórias tem finais felizes, mas que é possível consegui-los.

 

Se tiverem curiosidade como eu, neste tipo de temas, de religiões, de culturas diferentes das nossas, se até tiverem dúvidas, como eu também já as tive, no que toca a estas temáticas, estas séries são brutais, e ensinam-nos muito. Primeiro, ensinam-nos que este ainda é o nosso mundo, e que os direitos humanos são violados todos os dias, que há populações que nem a isso têm direito. E, ensinam-nos que não podemos nunca desistir daquilo que sonhamos e daquilo que queremos.

Estas duas séries da Netflix contam-nos e mostram-nos duas mulheres, em países completamente distintos, com histórias e culturas completamente diferentes, que lutam e não desistem dos seus sonhos.

 

 

Deixo-vos os trailers das duas séries, caso estejam indecisos se devem ou não ver, que também podem encontrar no Youtube.

 

 

 

 

 

09
Jun20

White Lines

mudadelinha

Opinião mais fresquinha era impossível, porque acabei de ver esta série há umas horas. Mas desvendo já a minha opinião e levanto já o pano, se não fosse a prestação maravilhosa e incrível do ator português Nuno Lopes, dizia que é das piores séries que já vi da Netflix.

Criei grandes expectativas em relação a este enredo, pela pontuação que a série tinha, por algumas opiniões que li antes de decidir vê-la, pela história da série e por saber que tinha interpretações portuguesas. Estava curiosa principalmente por isso, por ter atores portugueses, porque sou muito curiosa em relação a trabalhos de portugueses no estrangeiro, principalmente no que toca a televisão, cinema, teatro, e por aí fora.

Mas, as expectativas saíram-me completamente ao lado, exceto o maravilhoso trabalho do Nuno Lopes. A série conta também com uma participação mais secundária de Paulo Pires, mas passou-me ao lado, porque é o George Clooney português e foi precisamente isso que absorvi da personagem que ele interpretou.

Bem, a série passa-se em Ibiza, e Zoe Walker deixa para trás uma vida pacata e familiar em Manchester, para investigar o desaparecimento do irmão em Ibiza, onde acaba por se embrenhar no ambiente que conhecemos das noites de Ibiza. Basicamente, em Ibiza tudo é possível, fez-me até lembrar algumas passagens dos filmes “A Ressaca”, mas nada comparado, é só uma comparação pessoal.

A série tem 10 episódio, cada um de 45/50 minutos, e apesar de ter um argumento e um resumo muitíssimo interessante, acaba por cair no ridículo, porque o que seria a investigação de um homicídio, acaba por ser Zoe a descobrir o que não aproveitou toda a sua adolescência, e que o irmão o fez pelos dois.

Ao longo de 10 episódios não senti que a série me oferecesse algo de novo, bem pelo contrário, acontece o mesmo que em La Casa de Papel, os episódios finais desenvolvem-se a uma velocidade fulminante e a história fica resolvida. E foi isto que se passou com White Lines, o último episódio é o mais importante, ou seja, andamos ali 9 episódios que não acrescentam nada, e o final é tudo o que menos esperávamos, como se estivéssemos a ver uma novela mexicana.

Não gostei, fico a pensar se fui só eu, porque das críticas que li e da pontuação que a série tem na Netflix, fico mesmo a pensar isso. Das séries espanholas que tenho visto foi a que menos gostei, o realizador é o mesmo de La Casa de Papel e de Vis a Vis.

 

White Lines choca com orgia e atriz da Netflix detalha cena ...

(a imagem foi retirada daqui)

03
Jun20

Mais sobre o Bullet Journal

mudadelinha

Há uns dias disse que tinha começado o meu primeiro bullet Journal, como não o comecei no início do ano, decidi fazê-lo semestral. Neste caso, ele inicia-se em junho, mas nas últimas semanas de maio decidi dedicar-me prepará-lo e a alinhar ideias. O pinterest foi o meu melhor amigo, tirei de lá imensas ideias, e adaptei muitas claro, porque não tenho grande vocação artística e porque as minhas necessidades não são as dos outros, e cada Bullet Journal é diferente. Tive tempo de me dedicar à tarefa e até consegui fazer algumas coisas engraçadas, algumas com muito esforço é verdade, outras desisti porque efetivamente não sou uma pessoa de artes.

Desde que comecei a ler sobre o Bullet Journal e a ver vídeos sobre o assunto, soube que seria a minha melhor forma de organização, porque adoro listas e gosto de apontar tudo e mais alguma coisa. Mas sempre que lia ou ouvia alguma coisa sobre o assunto, assustava-me com toda a elaboração e com todos os clichés e pormenores de alguns bullets. Acho que um bullet journal é feito à nossa medida, conforme as nossas necessidades, porque somos nós que o fazemos, e pode resultar de muitas formas. Pode, simplesmente, ser um bloco de notas, sobre tudo e mais alguma coisa, como pode ser uma mistura entre um bloco de notas e uma agenda. Esta última era o meu objetivo, e foi também o que mais me deu que pensar, porque demorei até conseguir alinhar todas as ideias, e conseguir juntar tudo num só sítio, num só caderno.

Todo o trabalho até o conseguir é engraçado e chega a ser bonito. Precisei de pegar numa folha em branco e alinhar tudo o que queria que o meu bullet tivesse, tudo o que precisava, e tive também de entender a razão das agendas não resultarem para mim. Nos últimos anos, tenho comprado as agendas mais completas da Mr. Wonderful, que são muito completas, e por norma, compro as de vista diária, porque preciso de espaço para escrever o meu dia e gosto muito delas. Cheguei à conclusão que não estava a resultar, porque além da função de agenda, estava a precisar de outra coisa, que era a função de bloco, e isso as agendas não oferecem, pelo menos estas. Então dava por mim a andar sempre com a agenda e um bloco também, o que não é de todo prático, falo por mim.

Depois de alinhar tudo foi mais fácil começar a procurar ideias, e além do pinterest também vi muitos blogs e vi alguns vídeos no Youtube, mas para ideias mais concretas (não tenho tanta paciência para ver vídeos no Youtube, sou sincera).

 Então, passo a explicar o meu índice, e através do índice fica tudo mais fácil de se entender. A primeira questão do índice e a última coisa que fiz foi paginar o bullet, e assim foi muito mais simples de ir fazendo o resto. A segunda ideia do índice, fui sempre deixando espaço para outras ideias, e construi-o com esse objetivo, que é fundamental na minha opinião. A terceira e última ideia e este foi sempre o meu principal objetivo, queria e quero um bullet prático e útil, sem grandes complicações, e que daqui para a frente não me faça perder muito tempo a continuá-lo.

Comecei por fazer uma página de “Keys”, e juntamente com as “Keys” fiz um pequeno sistema de cores, para algumas coisas que me darão jeito a nível mensal, acho que outras me surgirão mais à frente. A nível desta página, não acho que, na minha experiência, faça muito sentido, mas gosto da ideia, e todos os blogs e vídeos que fui vendo tinham esta página, então fui um bocadinho influenciada neste pormenor, e vou tentar não me desleixar.

Logo a seguir, aparece o calendário, que seria anual, mas que no meu caso vai de junho a dezembro, e que é das páginas que mais sentido faz. Inicialmente, não fiz um “Future Log”, uma página de eventos futuros, mas acabei por perceber que me faria falta, porque lá posso apontar tarefas ou compromissos futuros, como consultas médicas, ou cerimónias, por exemplo casamentos, ou até mesmo o meu exame, ou seja compromissos marcados com alguma antecedência. Aproveitei e apontei lá também os feriados nacionais de cada mês).

Um “About Me” é uma página muito pessoal, mas que achei engraçada de incluir, e com ícones consegui caracterizar-me de forma muito resumida, e como um Bullet Journal também é muito pessoal, fazia todo o sentido.

A partir daqui comecei o foco do bullet Journal, tudo o que procurava nas agendas e não encontrava. E estes primeiros quatro pontos foram os mais fáceis e naturais, foram as listas que costumava espalhar por todos os lados: livros, séries, filmes e música. E, com exceção do último, da música, os outros três resumem-se de forma muito simples, são listas dos que já li e assisti, dos próximos que quero ler e ver, e aa lista dos que quero comprar para ler e dos que quero ver, com algumas nuances e diferenças em cada um claro. Tentei dar espaço aos detalhes mais importantes, mas de forma simples, nos livros por exemplo quero sempre ver o autor, e na Wishlist dos livros, deixei espaço para o preço e para a loja, para ter sempre uma noção do sítio onde quero comprar, ou onde comprei. Isso permite-me comparar preços e locais de compra. Nas séries, a tarefa tornou-se mais complicado, porque há séries que já vi, mas ainda não estão concluídas. Andei perdida com isso, até que decidi simplificar, se não resultar desta forma, mais tarde faço de outra. Nas séries vistas, apontei as temporadas que a respetiva série tem e as que estão confirmadas, e as que estão vistas. Nas séries que estou a ver, coloquei o episódio ou a temporada em que estou, e o que acontece, é que acabo por repetir séries nestes dois pontos, como acontece com La Casa de Papel, que vai sair a 5ª temporada. Além disso, quer nas séries, quer nos filmes, consegui deixar espaço para dar uma pequena pontuação, para perceber quais foram as minhas favoritas. Queria fazer isto nos livros também, mas não perdi tempo com isso, mais tarde o farei.

Relativamente ao capítulo das músicas, o principal foco era apontar as músicas que gosto de ouvir quando estou a estudar, e o que fiz foi isso mesmo, uma página para músicas que gosto de ouvir quando estou a estudar, músicas para dançar, as músicas que ouço mais, os podcasts que gosto de ouvir, e uma página de ideias de playlists e de músicas.

Depois destes pontos, dei continuidade às listas que costumo escrever e espalhar por mil blocos e cadernos, que são:

  • Sítios e países que quero visitar – dividi entre Portugal e fora de Portugal. Apontei também os que penso que serão os próximos sítios onde vamos, para estruturar e elaborar um roteiro;
  • Atividades que quero aprender – e fiz uma coluna onde anoto as que já dei início;
  • Lista de blogs, sites, páginas de Instagram que gosto de seguir e a razão de o fazer;
  • Restaurantes e locais que fui e respetiva pontuação;
  • Ideias e notas para o blog;
  • Lista de passwords, para não me esquecer frequentemente das passwords;
  • Lista de contactos importantes;
  • Datas importantes e aniversários;
  • Rotina de hábitos anual;
  • Ideias de receitas;
  • A wishlist de coisas que quero muito comprar, e tal como na wishlist dos livros, fiz a coluna de forma a conseguir apontar os preços e as lojas onde quero comprar, ou onde o preço é mais acessível:
  • Metas e objetivos de cada mês;
  • Um plano de roupa, disponibilizado pela Mariana Soares Branco, nos destaques da sua página de Instagram e que, claro, vou adaptar, mas que me será muito útil e me permitirá concluir as peças que tenho, as que vou prescindir e as que me fazem falta.
  • Em penúltimo, uma rotina de finanças e poupanças anuais, que irei preenchendo mensalmente, e me permitirá somar no fim deste período.
  • Por último, deixei uma página para notas, quer para o bullet Journal, quer para outras coisas aleatórias, que me vão surgindo todos os dias;

Pode parecer um bocadinho confuso, mas para mim faz todo o sentido. Houve só alguns pontos que ficaram desconformes, no sentido de existirem listas que deviam vir seguidas e acabaram por ficar afastadas, porque foram ideias que me surgiram depois. Mas, tudo a seu tempo, e à medida que for usando o Bullet vou acertando essas vicissitudes.

 

WhatsApp Image 2020-06-02 at 22.15.36.jpeg

(esta é a minha capa do mês de Junho, como se vê perfeitamente pela tentativa não sou muito dada a artes, tanto que o último desenho foi uma tentativa idiota de desenhar um gelado, que não correu bem)

A partir daqui começa a componente da agenda, que explico de uma próxima vez, porque o texto já está enorme e é muita informação. Mas, também conseguir cumprir o meu objetivo a nível mensal, porque construi uma coisa muito simples, com o mais importante, e completei com três aspetos que precisava mesmo e que darão muito jeito: uma rotina de estudo, um planeamento de refeições (agora que vivo sozinha vai fazer todo o sentido!) e um separador para finanças e poupanças.

 

Começar o Bullet Journal foi um escape, um refúgio nas últimas semanas, além de que me permitiu pensar na minha organização, quer pessoal, quer profissional e numa forma de conciliar tudo num mesmo sítio. Para mim, esta é a grande vantagem deste método de organização e não me canso de o repetir. E não precisa ser todo bonitinho e cheio de floreados, bem pelo contrário.

 

 

30
Mai20

O corpo de cada um

mudadelinha
Imagem

 

Este é para mim dos assuntos mais delicados e mais complicados de falar. Deve ser a primeira vez que o faço assim, e por me ser um assunto tão sensível, talvez não me expresse da melhor forma ou da forma que gostaria.

Não sei se seguem a conta de Instagram da Mariana (Soares Branco), mas ela é assídua a falar sobre o tema, e foi um bocadinho por causa dos stories que partilhou esta semana que senti necessidade de ter esta conversa. Além disso, e de me ter identificado tanto com o que ela disse, tive uma conversa com o L. sobre como me sentia desconfortável quando as pessoas apreciavam e apreciam livremente o meu corpo e a minha magreza, como se lhes tivesse pedido opinião. E ainda o que me deixa mais incomodada é, talvez pela afeição que tenho por alguma dessas pessoas, não conseguir responder o que quero quando me dizem determinadas coisas.

Antes de mais, e mais uma razão pela qual talvez não me expresse da melhor maneira, é que acho que isto é tudo uma questão de educação, e talvez por ter sido educada a respeitar os outros, fossem eles como fossem, me faz tanta confusão quando ouço determinadas coisas. E, acreditem, não sou pessoa de me deixar ficar, de todo, sou chamada inúmera vezes à atenção por causa disso, porque não me torno simpática quando me dizem “Estás magra que nem um palito, o moço tem onde agarrar?”, mas será de esperar outra coisa quando nos dizem isto? Que seja simpática? Que me ria e faça de conta que está tudo bem e que não foi nada? Não sou assim, tenho sempre resposta na ponta da língua, porque não entendo que estejam a ser irónicos ou que estejam a brincar.

Explico um bocadinho da minha história e desta minha “luta”, se assim o posso chamar, tenho 1,60cm e o meu peso oscila, há muitos anos, entre os 44kg e os 46kg, se tanto, chegar aos 46kg já é uma vitória. Quando era mais nova e andava no secundário, pesava mais, porque praticava imenso exercício físico e tinha muita massa muscular, além de que tinha mais apetite, derivado disso também. O meu peso máximo foram 60/62kg, no ano antes de emagrecer abruptamente, e sem razão aparente. Mas, para mim, o pesar mais não significa que fosse mais saudável, porque não era. Quer dizer era, porque praticava mais exercício, mas não tinha cuidado nenhum com a alimentação. Além disso, e devido à minha estrutura óssea, pesava mais, mas era totalmente disforme, não tinha um corpo de todo bonito, nunca o achei pelo menos.

Nessa altura, o que me salvava era o gosto pelo exercício físico, principalmente pelo voleibol, e era isso também que me fazia continuar e que me fez nunca desistir de nada, porque detestava ver-me ao espelho, não me sentia bem e não gostava do meu corpo. Tinha vergonha de ir à praia ou à piscina com amigos, se fosse escondia-me atrás da minha t-shirt e resistia à tentação de ir à água, para não ter de me mostrar de bikini. Fui assim muitos anos, nunca ultrapassei muito bem isso, também era uma adolescente, e os adolescentes são cruéis uns com os outros. Se tens vergonha, eles fazem-te ter mais. E passei situações muito desagradáveis, nunca me soube defender delas, e deixava que gozassem comigo, ou que mandassem piadas parvas. Em contrapartida, tinha pessoas que me tentavam subir a autoestima, mas ainda assim aquilo era um atentado para mim, porque eu não me sentia bem. E essa era a principal questão. Apesar de nunca ter ultrapassado muito bem isso, aprendi a tentar gostar de mim como era, porque se não o fizesse, ninguém o ia fazer por mim. Aprendi a viver com isso e aprendi a lidar com o corpo que tinha e que era meu e de mais ninguém.

Na minha passagem do secundário para a faculdade, deixei de praticar tanto desporto, e comecei a emagrecer, também por outros problemas que tive, que não quero falar sobre isso, porque passados tantos anos já os aceitei. Quando dei por mim tinha 45 kg, e assim estou até hoje. Por muito que tente aumentar de peso e que tenha cuidados não o consigo, já fui acompanhada muitas vezes, e chegamos à conclusão que tudo se devia ao meu sistema nervoso.

Todas as pessoas se lembram de mim assim, porque me conheceram muito magra, nunca me conheceram de outra forma. E se há pessoas simpáticas, os meus amigos, há outras que são completamente desnecessárias, e sempre fui educada que não devemos comentar o corpo ninguém, porque o corpo de alguém tem uma história por trás, e essa pessoa tem uma história, fácil ou difícil, e não sabemos se a pessoa se sente bem ou não com o corpo dela. Não sabemos se vamos magoar ou se a vamos fazer feliz, então o melhor é remetermo-nos ao silencio. Aliás, nem é remetermo-nos ao silêncio, é não olharmos para o corpo dos outros, e nem no nosso consciente comentarmos.

Hoje sou magra, muito magra vá, e não me sinto bem com isso, gostava de pesar mais, gostava de não ter metade dos problemas que tenho com o meu corpo e com o meu sistema nervoso. Mas, aprendi a aceitar-me. Não foi uma tarefa muito fácil, lutei muitos anos com isso, de olhar-me ao espelho e gostar do que via. Não vestia a roupa toda que gostava, porque me fazia mais magra, porque mostrava todas as minhas sensibilidades físicas, e então escondia-me. Mas, do que adianta escondermo-nos? Se não gostar de mim, ninguém o fará, sou eu que tenho de o fazer, que tenho de aceitar-me como sou.

 

Gorda não é insulto e magra não é elogio. Este é o lema. É que todos temos as nossas inseguranças, e no final do dia, o que importa é ter saúde e sermos saudáveis. Não sou menos mulher por não ter curvas. As pessoas ficam chocadas quando digo que gosto de mim, e gostava das duas formas, quando tinha mais peso e agora que tenho menos. E se umas vezes brinco com o assunto, outras digo às pessoas para se calarem e olharem para elas. Passei anos a querer as mamas e o rabo que não tenho, nem nunca terei. Até que chegou o dia que decidi amar-me a mim e ao que vejo no espelho. Esse dia chegou, e a partir desse dia deixei de aceitar comentários.

Amor próprio é o que tenho e é o que aconselho. Porque, grande parte das pessoas que criticam e comentam, não o têm, e tentam fazer o efeito inverso: é mais fácil criticar-me a mim, por ser gorda ou magra, do que aprender a gostar dela e ter amor-próprio.

 

Não sei se passei bem a mensagem que queria,  pelo enos da forma que queria, mas foi um desabafo sensível sobre o assunto, sei que não sou a única a passar por isto. E precisamos de ser uns para os outros, além do amor-próprio, o civismo e o respeito.

25
Mai20

Comecei o meu primeiro Bullet Journal

mudadelinha

Já tinha partilhado aqui a vontade súbita de decorar os meus cadernos e os meus resumos, e como isso me levou a querer desenhar. A minha vocação para desenho e para artes no geral nunca foi a melhor, nunca gostei tão pouco. Era uma aluna medíocre na escola, e só não era mais fraca porque a minha mãe andava sempre em cima de mim.

Tanto tempo em quarentena tinha de aproveitar o tempo de alguma forma, que não só estudar, e depois de andar uns dias a pesquisar formas de tornar os meus cadernos mais bonitos surgiu a ideia de começar um bullet jornal, porque senti necessidade de organização e como o meu exame de agregação se aproxima preciso de organizar os meus estudos.

Já tinha ouvido falar no método vezes e vezes sem conta, já tinha visto vídeos no Youtube e já tinha até lido vários blogs sobre o assunto, mas sofro de um grande defeito: perfecionismo. Não gosto de fazer as coisas pela metade, para fazer que sejam bem feitas e com gosto principalmente. Além disso, nunca tive muito tempo para me dedicar a isso, e pensar como o faria, por isso continuei a preferir as tradicionais agendas.

Adoro agendas, cadernos e caderninhos, blocos e bloquinhos. Nunca os acabo, muitos tem uma ou duas folhas escritas. Sou a doida do material escolar, ainda bem que já me desfiz de metade, ou melhor, que comecei a dar uso a alguma parte do que tinha. E, depois, adoro listas, aponto tudo em listas, no telemóvel, no computador, nos cadernos. Tenho listas de livros que quero ler, de filmes que vi, de séries, de coisas para fazer. Acabo por nunca me organizar nesse sentido. Diariamente uso agenda, nos últimos anos tenho usado as da Mr. Wonderful e adoro, mas nunca consigo juntar tudo, e ter tudo num só sítio. E isso é que me estava a fazer confusão.

O BuJo (como lhe chamam) é um sistema de organização criado por um designer chamado Ryder Carroll (deixo também aqui o site do autor por onde me inspirei), e é um agenda extremamente flexível, porque pode ser uma mistura de agenda com diário e caderno de apontamentos e notas.

Quando me surgiu a ideia e hipótese de o fazer, parei um bocadinho para pensar, porque neste momento estou na casa dos meus pais, e tudo que seja material de escritório e de estudo levei para o Algarve, ou seja não tinha nada que me permitisse começar. Mas, lá comecei a procurar no pouco que tinha cá, e o objetivo era sempre que o método que fosse escolher fosse simples e prático. Era só isto que queria. Ainda pensei ir comprar, mas depois encontrei dois caderninhos, e pensei “Bem, para começar não está mal, nem que depois mude para outro sitio!”. Mas, entretanto, encontrei uma capa de argolas A5, e ainda fiquei na dúvida, mas decidi que seria ali, porque é a forma mais barata e organizada. Primeiro, porque posso acumular todos os anos ali, e é só juntar folhas. Além disso, se me enganar ou quiser alterar algum pormenor não implico tudo o resto, e isso é o melhor.

 

4..jpg

(esta é a tal capa de argolas A5, reaproveitada com cartolina de uma forma muito simples, que quero decorar)

A primeira coisa que fiz foi anotar todas as minhas ideias, para conseguir estruturar as minhas necessidades, ou seja, compreender primeiro o porquê de querer fazer bullet jornal ao invés de agenda, as vantagens e as desvantagens. As vantagens foi muito o que já disse, ter tudo num só sítio, ao invés de andar com listas e apontamentos espalhados por todo o lado. Trocar a agenda pelo bullet foi puder ser eu a fazê-lo conforme as minhas necessidades, ou seja, é um sítio que além de todas as listas que faço, estruturo o meu mês e como o quero organizar, desde planear estudos e refeições, como uma rotina de hábitos e controlar tudo o que seja de finanças. As desvantagens, estou constantemente a pensar nelas, mas tenho tentado convertê-las, e daí querer uma coisa simples, é que é um método trabalhoso e em constante alteração, porque estou agora fazer o mês de Junho, mas se lhe quero dar continuidade terei de fazer o mês de Julho e por aí fora, e isso implica tempo e trabalho. Se for uma coisa simples, torna-se muito mais prático e acho que esse é o objetivo principal do bullet jornal.

Começar é o mais difícil, mas depois de começar fui estruturando como queria e lá está, a tal vantagem, fui fazendo-o à minha medida. Esta é a liberdade do método, quem o faz fá-lo à sua maneira. Se quer desenhar, ou colorir mais, pode, caso contrário também é possível fazer um bullet jornal bonito, mas simples, sem grandes técnicas de desenho e sem grande material.

Eu, viciada em material escolar, mas sem grande aptidão para desenho, tentei dar-lhe um bocadinho de cor, mas ainda assim toná-lo prático. As listas a longo prazo, ou seja, aquelas que vou completando, tentei torná-las bonitas, com alguma cor, e com alguns desenhos simples. Até ficaram bonitas vá, porque lá está os desenhos também são bastantes fáceis. E é possível fazê-lo sem ser um ‘às’ a desenho e ainda assim ficar bonito. Por outro, a parte da agenda, o mais complexo confesso, e que ainda não acabei, mas que já estive a ver como vou fazer, estou a tentar que seja simples e prático, que tenha o essencial, e gosto particularmente de puder organizar o espaço como quero. Vamos ver como corre, porque só começar em Junho.

 

Tenho ideias de continuar com o método, acho que é uma ótima forma de organização, sou uma pessoa organizada, ou melhor que gosta de ser organizada, mas Às vezes esqueço-me disso, e entro no mood não-sei-a-quantas-ando, e ainda acontece algumas vezes.

Para isto, tentei usar o material que tinha, fui só ao continente comprar lápis de cor, lápis de cera, um compasso e marcadores, porque não tinha, e permite-me ser mais criativa. Mas, além disso, uso uma régua e aquelas réguas com letras e figuras e as minhas canetas normais de cor, parecidas com as Stillo.

 

Deixo aqui algumas das coisas que fiz, não pensem que sou profissional nisto, só me dediquei um bocadinho porque tive tempo, e até não ficou mal, porque os desenhos são simples.

 

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(esta é a capa, a minha página preferida e que orgulhosamente mostro, porque ficou mesmo gira)

 

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(o indíce, e não atentem por favor ao inglês, porque estou a forçar-me a aprender inglês, e pode haver algumas traduções incorrectas, que vou melhorando com o tempo)

 

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(A rotina de hábitos de cada mês, estes são alguns)

 

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(a lista dos podcasts, que também acho que ficou  muito gira)

 

As fotografias são todas minhas e como dá para ver, não faço questão de tirar as marcas de lápis meticulosamente, porque gosto de ver assim e porque faz parte.

 

Certamente que vou actualizando esta minha experiência com o meu Bullet Journal, espero que seja para continuar e espero incentiver alguém que estivesse com as minhas dúvidas a fazê-lo.

 

Boa semana :)

 

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