Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Coisas (des)Interessantes

Não penses que o mundo, a vida ou o tempo, te vão devolver alguma coisa daquilo que fazes. Nem tens de pensar isso sequer! Simplesmente faz!

Coisas (des)Interessantes

Não penses que o mundo, a vida ou o tempo, te vão devolver alguma coisa daquilo que fazes. Nem tens de pensar isso sequer! Simplesmente faz!

14
Nov18

Sozinha por Barcelona

mudadelinha

Viajar sozinha há muito que estava nos meus planos, mas como tudo o que significa sair da nossa zona de conforto, ficava sempre para segundo plano. Muitas vezes por falta de estabilidade financeira, outras por medo de arriscar e não correr bem. Sabia que a primeira vez teria de ser algo confortável, algum sitio com o qual me sentisse minimamente confortável e à vontade caso alguma coisa não corresse bem e precisasse de ajuda. Para alguém, como eu, que não tem o melhor nível de inglês e, por falta de prática e muita preguiça, está completamente enferrujado, ou estava, porque a viagem a Malta fez-me sair dessa zona de conforto.

Viajar é tudo de bom, só é preciso dinheiro, houvesse dinheiro e ninguém me via em casa. Mesmo quando alguma coisa não corre como o esperado. Saímos da nossa zona de conforto, do nosso país, ou da nossa zona, para conhecer outras culturas, outros hábitos, outras formas de viver, pessoas, cheiros, gastronomia e isso quase que nos obriga a desenrascarmo-nos num mundo que não é o nosso. Para mim isso oferece-nos uma bagagem emocional e cultual fantástica. Digo inúmeras vezes que o meu melhor gasto é quando vou conhecer outros sítios, em viagem ou férias.

Nos dias que correm ainda há muito o ‘preconceito’ de que viajar é só para quem é rico e tem muito dinheiro, o que cada vez é mais mentira, principalmente dentro de continentes. Nem quero discutir isso ou entrar nessa conversa porque cada um pensa como quer e tenho mais que respeitar. Mas, mal vim de Malta tive uma colega de trabalho que me disse “Se eu tivesse o vosso dinheiro também ia!”. Esses tipos de afirmações mexem comigo, quando minutos antes tinha dito que comprou o casaco que tinha vestido por não-sei-quanto. E eu não julgo ela ter comprado o que quer que seja, da mesma forma que ela não tem de julgar eu ir de férias, porque cada um faz o que entende com o que é seu. Mas, um colega que estava comigo respondeu-lhe e bem “O valor que destes por esse casaco e por muitos outros, que se calhar nem precisas assim tanto, porque amanhã vais vestir outro, podes gastá-lo como tu quiseres!”. E é deste tipo de pensamento que falo e deve haver por aí alguém que me entende.

Quando os meus pais me disseram que iriam ao Luxemburgo em novembro, a ideia de ir ficou a pairar na minha mente. Mas, ponderei por muitas razões. Primeiro porque tinha acabado de vir de férias e não era um país que me suscitasse assim tanta curiosidade. Mas, uma pessoa quando vai fica com o bichinho. Viajar é viciante.

Mas, era mais um país que ia conhecer e cada país tem a sua magia, além de que é um país estrategicamente bem localizado na Europa, que fica perto de outros sítios interessantes, e era só apanhar um comboio ou autocarro, como para a Alemanha (Frankfurt, Colónia), Bruxelas e, mesmo a capital de Luxemburgo pareceu ter muito mais a oferecer do que aquilo que parece. E, como os meus pais tinham tirado o dia de sábado para irem ver uns amigos, eu poderia ter aquele dia para mim.

Quando decidi de forma definitiva que iria com eles os voos estavam caríssimos, mas quando vos digo caríssimos é a 300€ só a viagem para lá. Disse logo que não, era impensável aquele valor. Mas, à medida que pesquisava os voos, apareceu-me a hipótese de fazer um voo diferente dos meus pais, com escala de 6 horas em Barcelona e chegava ao aeroporto de Luxemburgo bem mais cedo que eles, mas o preço estava mais acessível. Não pensei muito bem no assunto, só dei a certeza à minha mãe que ia, e tirei os bilhetes.

Quando contei ao L. ele riu-se, mas olhou-me de forma assustada e disse-me “Sabes que vais sozinha?”. Sim, porque eu quando vi que a escala era de 6 horas, nunca me passou pela cabeça ficar no aeroporto a criar raízes, disse logo que queria sair para ir passear e conhecer. Confesso-vos aqui que mais de metade das pessoas a quem contei o sucedido me disseram para não sair do aeroporto porque estava sozinha, com exceção do L. e de um amigo que adora viajar.

Foi espetacular, por mim ia já amanhã novamente. O melhor conselho que tenho a dar a qualquer pessoa, que tenha o mesmo medo que eu tive durante anos, é que enquanto não arriscarem nunca o irão perder. Quando não temos muita companhia, horários compatíveis com os nossos companheiros e amigos, nada melhor que arriscar. E, claro que preferia ter ido com o L., mas foi tão bom ter aquele dia só para mim. Arriscar apanhar o comboio, andar pelas ruas de Barcelona só com a música a fazer-me companhia, foi delicioso. Não foi solitário, não foi triste. Quando pousei os pés no Passeig de Gràcia, que dá para a Casa Batló, arrepiei-me e vieram-me as lágrimas aos olhos, porque estava ali sozinha e tinha conseguido desafiar-me a mim mesma.

Tinha traçado previamente um roteiro muito pequeno, a ideia era sair na Casa Batló, ir até à Praça da Catalunha, tomar um café por lá e ler o meu livro durante um bocado, apanhava o autocarro e seguia para o aeroporto. Informei-me de tudo antes de lá chegar, o comboio, o tempo que cada viagem demorava, o autocarro, tudo, que era para me antecipar caso alguma coisa não corresse bem. Correu tudo bem, já tinha estado em Barcelona há muitos anos atrás (há quase 15 anos) e, além destes dois sítios, ainda conseguia ver mais e andar mais, passei pelas Ramblas, pelas ruas minúsculas onde está, por exemplo o Museu de Picasso, que visitei quando fui a primeira vez. E é muito fácil andar em Barcelona, muito fácil encontrar as coisas. Além, de que é uma cidade linda e mágica.

 

Disse, desde inicio, que era perigoso deixarem-me ir sozinha, porque se corresse bem ia ser um vicio. E confirmasse. De uma próxima vez falo-vos sobre Luxemburgo.

 

20181109_103830.jpg

(a estação de comboio sai mesmo aqui, é do outro lado da rua da Casa Batló, por isso muito fácil de lá chegar)

 

20181109_104951.jpg

(a Praça da Catalunha, que estava atolhada de pombos)

20181109_105019.jpg

(e a minha aura de apanhar sempre casamentos ou sessões fotográficas de noivos, sempre que vou a algum sitio emblemático)

 

*Todas as fotografias são da minha autoria.

 

13 mudardelinha

Comentar

Sigam-me noutro sítio

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D