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Coisas (des)Interessantes

Coisas (des)Interessantes

27
Nov20

Superar a perda de uma pessoa querida

mudadelinha

 

 

Este post já está para ser escrito há muito tempo, mas nunca me senti preparada para tal, e achei a data justa, porque hoje faz um ano que perdi a minha pessoa, a pessoa mais importante da minha vida, a pessoa que mais me apoiou, a pessoa mais presente, a pessoa que nunca me falhou, a pessoa mais tudo: o meu avô Francisco. E a falta que ele faz, não só a mim, mas a toda a família, é inimaginável. Eu acho que a vida segue em frente, o tempo ajuda, mas as saudades nunca se vão, nunca desaparecem.

Queria poder dizer-lhe muita coisa, o meu avô foi e é das pessoas mais importantes da minha vida. Nos momentos bons é dele que me lembro, e como queria poder contar-lhe que arrendei o meu espacinho com o L., e nos maus também é dele que me lembro, porque faz-me tanta falta aquele abraço apertado, e como queria poder contar-lhe que fui despedida, e ouvir o conselho dele.

Os primeiros tempos foram muito difíceis, e a minha mudança para o Algarve ajudou-me muito, porque pude fazer o meu luto sozinha, sem pressões sociais, de que tinha de ir a casa dele, mexer nas coisas dele, e que tinha de ir às finanças ou aqui e acolá, porque tínhamos de resolver a habilitação de herdeiros, e porque havia mil e uma coisas para tratar, que me faziam lembrar todos os dias e todas as horas, de que a partir daquele dia faltava alguém.

Passou um ano, e continua a faltar alguém. E vai sempre faltar, e o lugar na mesa vai estar lá. E deixamos o cinzeiro e os cigarros onde os deixou, nunca lhes mexemos. Ainda está lá metade do cigarro que fumou no último dia, antes de o levarmos para o hospital.

Estava a trabalhar quando o levaram para o hospital, e lembro-me de ir ao hospital vê-lo, fui todos os dias, mas no primeiro dia, entrei sozinha e fiquei paralisada, senti o meu corpo a gelar. Liguei ao L. e disse-lhe que não queria, por tudo, lembrar-me do meu avô assim, não queria que a última imagem do meu avô fosse aquela. E o L. dizia-me que a imagem que eu ia guardar do meu avô nunca seria aquela. E não, não é aquela imagem que guardo, nem é de todo a quero guardar.

Aliás, o que me tem salvo, e é muito por isto que escrevo sobre este tema, são os bons momentos, são todas as memórias e recordações, de uma infância, uma adolescência e de uma vida feliz, com aquela mão ao meu lado, sempre para me amparar e para me dar a melhor palavra. 

São todas as fotografias que lhe tirei, a dar comida às gaivotas e aos gatos, a molhar os pés no mar, e a vender uma cervejinha na adega que tinha e que tanto adorava. As fotografias que tenho dos seus eternos abraços. E, apesar da dor, aconchega-me a alma poder olhar para ele e ouvi-lo sempre que quero, sempre que preciso do calor dele, ou sempre que o imagino a falar comigo.

Vivam todos esses momentos, aqueles momentos que não se pagam, mas filmem muitos momentos em família, ninguém pensa nisso, nunca estamos preparados para momentos assim, para perder as pessoas que amamos, mas filmem muito, ouvir a voz das pessoas faz muita falta, vê-las sorrir também, e sentir o abraço delas, esse nunca mais é possível, mas ajuda as fotografias e os vídeos, onde ouvimos a voz e as gargalhadas juntos.

Passei e passo por fases. Muitos dias maus, alguns dias bons, tenho sobrevivido, melhor até do que alguma vez pensei. Os primeiros meses custaram muito. Há dias que o imagino a falar comigo, há dias que choro porque queria ir almoçar a casa dele. Há dias que tudo me faz lembrar dele, quase todos os dias, e há dias que me lembro que ele só queria que fossemos felizes, e que nos quer ver lutar pelos nossos sonhos e ser felizes.

 

Ajuda-me não ter de lidar todos os dias com esta falta, não ter de ir todos os dias a casa deles, e de fazer as coisas que normalmente fazia com ele. Alivia-me. Ando melhor quando ando distraída, atarefada com o dia-a-dia, preocupada com as mil e uma coisas que tenho para fazer. 

 

Todos os dias me lembro, todos, mas foco-me no bom, tento ouvi-lo sempre como se nunca nos tivesse deixado.

 

Queria deixar uma palavra de esperança, de que quem parte não nos deixa sós, e é difícil, é muito difícil superarmos a perda, é mesmo, mas há vários caminhos. Temos de acreditar que vamos conseguir, que vamos encontrar o melhor caminho e a melhor forma de fazermos o nosso luto, e que esse pode demorar dias, meses ou anos, e que não há problema nenhum com isso, nenhum mesmo.  Cada pessoa tem a sua maneira de encarar e de lidar com as coisas, principalmente com uma perda. A falta do meu avô afetou-nos de maneira diferente e cada encarou de forma diferente. Eu precisei ir com calma. Lembro-me de na semana seguinte, a minha mãe querer que eu fosse ao hospital, fazer qualquer coisa que não me recordo, e eu não consegui. Não consegui porque era demasiado cedo para mim fazer aquela trajetória e aquele percurso, que tanto me marcou. E, lembro-me, de termos de ir a casa dele, procurar por documentos e outras coisas, e eu mal entrei, saí, porque simplesmente não consegui. Ainda hoje me custa ter de ir lá fazer o que quer que seja, porque sim, porque me custa, porque me lembro, e apesar de me querer manter sempre perto, quero encontrar essa liberdade e esse à vontade devagarinho, como se o luto que vou fazendo tivesse vários degraus, várias portas, várias entradas e saídas, que aos bocadinhos vou conseguindo ultrapassar.

 

 

20180217_181751.jpg

 

30
Mai18

Sonhos

mudadelinha

Sempre sonhei muito durante os meus sonos e adorava saber interpretar sonhos, às vezes é cada um melhor que o outro. Acordo sobressaltada, ando dias a pensar naquilo e não sei o seu significado. Grande parte das vezes a minha mãe diz-me para ter calma, que herdei isso dela, e que há sonhos maus, mas que também há sonhos bons. Em quase todos os meus sonhos entram sempre as mesmas pessoas, mas há uma que está sempre lá: o meu avô. Eu acho que os sonhos são avisos e muitas vezes refletem as minhas preocupações.

16
Mai18

Uma das minhas melhores memórias de infância

mudadelinha

Tenho imensas memórias de infância e grande parte delas são na casa dos meus avós, quer dos meus avós maternos, quer da minha avó paterna, porque passei metade da minha infância em cada um deles. Cresci com a minha paterna até aos 8 anos e aos 8 anos passei a ir para casa dos meus avós maternos, apesar de sempre ter ido lá, não ficava lá durante a semana.

Sempre tive uma relação muito especial com o meu avô materno, somos três netos e eu sou a do meio, fui a primeira neta por aqueles lados e sempre, mas sempre, foi o meu avô que me levava e me ia buscar à escola. Esta deve ser das primeiras memórias que tenho com ele, dos carros que ele tinha e de ser ele que estava à minha espera quando saía da escola, de lhe vir a contar como tinha corrido o dia pelo caminho, os trabalhos de casa que tinha para fazer, o número novo que tinha aprendido ou a palavra que já sabia ler. Uma das melhores características do meu avô é a paciência, principalmente com crianças. Outras das suas melhores características é tratar toda a gente por igual, para ele não há netos, nem filhos preferidos, todos valem o mesmo e ninguém nota qualquer tipo de distinção ou preferência.

Claro que uma das minhas melhores memórias de infância tinha de ser com o meu avô e, às vezes, quando penso nele, esqueço-me destes dias, em que ele me ia buscar à escola ou infantário, não me lembro bem que idade que tinha, e antes de a minha mãe chegar a casa deles para me ir buscar, ele ficava comigo a fazer desenhos dos pássaros que tinha na casota e que estavam penduradas na loja que eles, ainda hoje, têm. Havia um pássaro amarelo, que era lindo aliás, era o meu preferido e ele dizia que era meu.

 

E que saudades dos tempos em que tinha pássaros na loja, e pegava neles para nos mostrar e para fazermos festinhas! Além disso, o meu avô desenhava mesmo muito bem, principalmente pássaros.

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